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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O Evangelho precisa nos transformar - A palavra profética tem o poder de acordar os surdos

É tão fácil a gente cair na religião do mito. O tempo todo Jesus já nos alertava sobre o risco aos ídolos, pois a idolatria é um dos principais problemas religiosos no mundo. Esse é um risco que todos nós corremos, quando a nossa admiração por alguém ou por uma pessoa se torna essencial, colocada acima, em termos de importância, d'Aquele a quem anunciamos. Decepcione-se comigo, mas que a sua decepção comigo não seja uma decepção com Aquele a quem eu anuncio.

Temos de viver uma religião que seja capaz de mexer com as estruturas da nossa consciência a ponto de nos fazer acordar para tudo aquilo para o qual nós dormíamos e não sabíamos que existia dentro de nós. Já estávamos inconscientes e acostumados com o nosso jeito ciumento de amar, com nosso jeito ciumento de possuir as pessoas, achando que isso era amor. Muitos de nós já éramos desonestos nas pequenas coisas e já estávamos acostumados com isso também. Até que um dia uma palavra profética varou as estruturas da nossa vida e nos incomodou.

Uma palavra profética tem o poder de acordar os surdos e aqueles que estão dormindo e que já não escutam mais nada, num sono letárgico ou até mesmo num cumprimento de rituais inférteis, que já não servem de nada para a nossa salvação.

É a continuidade da Santa Missa que nos salva, é a história que fica diferente em cada comunhão comungada, em cada mesa partilhada, em cada confissão realizada, é o que se segue a partir daí que nos salva. O sacramento não é a mágica de um momento, mas é a continuidade da vida que vai sendo incorporada, porque o sacramento aconteceu em nós.

É disso que Jesus fala: “Não venha me dizer o que você fazia antes, não me importa o que você fazia. Importa-me o que você era. O que faz diferença para mim é o quanto a minha Palavra conseguiu transformar o seu coração a ponto de transformá-lo numa pessoa melhor”. De você olhar para trás e dizer: “Antes eu era assim, e pela força da Eucaristia, do Evangelho, do terço, eu mudei” – todas as manifestações religiosas que você pode ter e viver. Você percebe que a sua vida não é mais a mesma, porque você mudou o seu jeito de pensar, modificou o seu jeito de ser.

Humanidade é isto: é trazer a luz do Ressuscitado para nós e ver que há muito para ser limpo em nosso interior. O anúncio do Evangelho é para aprendermos que não temos de ficar com as nossas poeiras e impurezas. A religião que Jesus quer de nós é esta: que fixemos os olhos no céu, que busquemos o céu. Religião que só nos mostra a cruz é uma religião infértil, porque eu não sou filho do Calvário; eu sou filho do Ressuscitado! E quem eu anuncio sempre é o Ressuscitado.

Você não pode ficar parado no "calvário da sua vida"; todos nós passamos todos os dias por ele. Você acha que a gente vai ser santo sem sacrifício? A semente passa por todo um processo de crescimento, mas ela sabe que se não deixar de ser o que é, não atingirá seu objetivo.

A dor é o preparo. A sua dor não pode ser em vão. O que você faz com o seu sofrimento? Faz um quadro? Faz música? A genialidade está em transformar a lata velha em ouro. Ou a dor me destrói ou eu a transformo em processo de ressurreição.

Nossa vida é um desafio diário e não há tréguas. É um "lapidar" constante, tirando tudo o que é excesso em nós. Se eu não tivesse sofrido do jeito que sofri, se eu não tivesse amado do jeito que amei, eu não teria nada para contar a vocês.

Não sinta vergonha de nada que você sofreu, porque depois que passou por aquele momento, você sabe o que você sofreu para chegar aonde chegou.

Foto Padre Fábio de Melo

Padre Fábio de Melo é professor no curso de teologia, cantor, compositor, escritor e apresentador do programa "Direção espiritual" na TV Canção Nova.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Construir a corrente do bem

Nós já estaríamos com todos os problemas resolvidos. "Traga para o meio" que vemos hoje no Evangelho é o discurso da inserção. Jesus não admite que alguém possa ficar jogado do lado de fora.

Antes enfermidade era sinal de que pessoa não tinha predileção por Deus. Jesus insere quem está do lado de fora. Faz o bem independente de ser sábado, domingo... A Eucaristia é um acontecimento no tempo, do que no tempo não cabe. É um acontecimento tão lindo que não coube no tempo e esparramou-se na história. Na poesia, chamaríamos de "acontecências". O bem que você realiza não cabe no tempo. Quando você se recorda do bem que fez, seu coração se enche de gratidão, é como se aquele acontecimento acontecesse de novo. É a grande ousadia que o Cristianismo nos empresta. Faça este tempo já ser eterno. Faça a dinâmica da eternidade valer agora.

Complete na sua carne o sofrimento de Cristo. A realidade é bela, mas, é sofrida. Não é fácil estar ali no papel do Crucificado. Jesus dizia: "Bem-aventurados os que sofrem porque serão consolados..." Bem-aventuranças têm valor porque só podem ser vistas pelos olhos da sabedoria, por quem está inundado no amor de Deus. Somos convidados a viver na nossa carne sacrifício do Cristo. Isso não é brincadeira. Aquilo que não coube no tempo está em mim, na história dos meus dias. Você é história: tem início, meio e fim. Em nós acaba em realidade o que não cabe no tempo. A realidade divina plenifica tudo isso.

Eu e você somos convidados a fazer a dinâmica do Evangelho, trazer para dentro o que está jogado para fora. Para que você paga seus impostos, anda em dia com suas dívidas? Por que é obrigado? Muitas vezes não vemos ser aplicado o dinheiro que a gente pagou. Que país é esse que não traz para o meio aquele que não pode, não sabe, não tem?

Lamentavelmente se precisamos ter saúde, segurança, precisamos pagar. Nosso país não cuida como precisaria cuidar dos seus. É falta de vergonha na cara de quem tem o governo nas mãos. Quando vamos em outros países o dinheiro das pessoas ser bem aplicado. Você pode sair à noite sem medo de ser assaltado, sequestrado... Essa é a conversão que o Brasil precisa viver. Não podemos continuar achando que chegamos ao destino final.

O bom brasileiro é aquele que continua lutando, de olho em quem votou. Nosso país precisa ser moralizado e isso começa com nossa exigência. Não podemos ser omissos. Corrupção começa em pequenas coisas, quando faço proveito de algo público, aproveito algo que não é meu... Levar para o meio é recordar que se quem está no poder não estiver com Deus no coração, não podemos esperar muita coisa.

'Como eu não como será o dia de amanhã, só me resta viver bem', afirma padre Fábio
Foto: Robson Siqueira


Não sei se você acompanhou movimento que teve para tirar figuras religiosas das repartições públicas. O que quadro do sagrado Coração de Jesus pode fazer mal a uma repartição pública? Será que com quadros eles recordam um valor que não querem mais viver? Este país não vai ficar melhor no dia em que tirarmos, mas, no dia em que os governantes tiverem caráter, agirem de maneira correta.

Ontem eu dava exemplo de Dom Hélder Câmara, que trazia para o meio aqueles que não tinham vez. Muito mais do que ficar preocupados com a religião que cada um tem, precisamos nos preocupar com caráter que cada um tem.

É o deputado que você elegeu que pode assinar leis contrárias ao Evangelho. Se essas mentes diabólicas são capazes de tramar estas coisas, são capazes de tramar coisais piores. Não podemos ficar fazendo política, mas, temos que ficar de olho na política. Eles são nossos empregados, trabalham para nós.

Os deputados são nossos representantes. Usar o povo só em período de eleição? Aquele povo que troca voto por uma dentadura! O sorriso que queremos é definitivo! Queremos jovens com oportunidade de trabalho, estudo. Quando trabalhamos problemas educacionais criminalidade vai embora. Assim como com emprego... assim, criminalidade vai embora.

Não é fácil a vida de um assalariado. Nosso povo sofre, não tem transporte digno! O Brasil precisa mudar. Existem muitas coisas boas sendo feitas pelo país afora, mas, existe muita porcalhada embaixo do tapete. Proclamar a independência é reassumir a cidadania. "Eu te elegi e não vou tirar olhos de você".

"A política é uma das formas mais elaboradas de caridade", dizia Santo Agostinho. Aquele que tem poder usa para quem não tem e distribui aquilo que é direito. Queremos nosso direito de cidadão. É vida que você merece viver bem. Não há cristianismo sem comprometimento.

Não podemos ser o que fomos ontem. Processo de Deus é nos fazer evoluir, ir adiante. Nosso projeto é chegar a esse brilho que é apagado porque trabalhamos nossa vida de jeito errado. Este é o dia em que temos que tomar consciência de tudo o que Deus precisa fazer em nossa vida. Nosso país e nós precisamos ser transformados! Ficamos indiferentes aos processos que estão do nosso lado.

Quando você fica indiferente, se fecha na sua história. Nunca diga que você não tem nada com isso. Pode respingar em você! Aquilo que não dá certo na casa do outro pode repercutir na sua vida. Nós estamos interligados mesmo sem saber porque. Pessoa que passou pela sua vida pode ter influência sobre você. Pode ser que mais cedo ou mais tarde você precise daquela pessoa. Estamos interligados e não podemos nos esquecer do nosso compromisso com a bondade. Jesus enquanto pôde fez o bem.

'Não podemos nos esquecer de que nosso compromisso é com a bondade', exorta
Foto: Robson Siqueira


De alguma maneira alguém bate à porta da nossa vida, da nossa história. Nós não sabemos o dia de amanhã, então só nos resta viver bem o dia de hoje, construir pontes ao invés de barricadas. Passe pela vida do outro de um jeito certo. Às vezes temos somente uma oportunidade de passar por uma pessoa. Ela pode até não saber quem eu sou, mas, eu sei.

Não podemos viver pelo outro, mas a parte que podemos fazer não podemos abrir mão. Tenho pedido a Deus a graça de amadurecer para perceber o que eu posso fazer pelo outro.

Preste atenção nesta frase de um poeta: "Estamos todos na lama, mas, alguns de nós resolvemos olhar para as estrelas". São estes que mudam o mundo, que fazem as coisas acontecerem. Estas pessoas completam sacrifício de Jesus na carne. Chega de contendas. Já tem guerra demais neste mundo.

Precisamos lutar pela paz, pela harmonia... acender luz para quem não tem... Proclame a independência! Assim como os santos da Igreja, os santos dos nossos dias. È isso que precisamos. Independência de hoje depende de nós. Precisamos ter fé, acreditar que pode ser diferente. Cristão que é cristão não fica parado, fica na direção do futuro.

Transcrição e adaptação: Danusa Rego

terça-feira, 21 de julho de 2009

O pastoreio familiar

Que beleza essa Palavra de Jesus, quando Ele olha para a multidão e percebe que ela precisa ser cuidada. Por isso, o Senhor faz a associação direta disso com uma multidão sem pastor. Pastor é para cuidar, não com olhos desconfiados de vigilância, mas com olhar zeloso. O pastor fica atento para o que a ovelha precisa. Jesus fala no contexto d'Ele, pois vivia no ambiente rural, mas nós trazemos o conceito do pastor com sua ovelha para aplicar na nossa vida, falamos da importância de cuidar bem da nossa família, para que ninguém a roube.

Qual é o grande significado de pastor no contexto de Evangelho? Pastor é aquele que está à frente de um determinado rebanho. O padre é o pastor de sua paróquia, o bispo é pastor de sua diocese, o Papa é o pastor da Igreja. Padre não tem outro significado que pai, eu sou seu pai pelo ministério sacerdotal que exerço, para cuidar de sua casa através das minhas palavras, do programa “Direção espiritual”, dos livros que escrevo.

Deus concedeu ao sacerdote o ministério de ser pai assim. Eu cuido das minhas ovelhas, por isso eu alerto vocês sobre as coisas nocivas que podem atingi-los, eu como padre preciso estar comprometido com a felicidade da sua casa. E aquele que está comprometido com a felicidade do outro fala palavras bonitas, ama as pessoas; o padre precisa ser um amante da humanidade. O povo merece a sabedoria e santidade dos padres.

A minha palavra de pastor é para convidar a você para ser pastor também, os padres não são os únicos responsáveis pelo pastoreio das ovelhas. Você é responsável pelo pastoreio de suas ovelhas na sua casa. O bom pai e a boa mãe é que ensina a criança a comer direito desde pequeno. O pastoreio das famílias começa nas panelas. O pastoreio da mulher começa na panela quando ela faz a comida. Não adianta estar dentro de casa, precisa exercer a autoridade dentro de casa. Você não pode ser uma mãe decorativa, a família não precisa ter uma mãe decorativa, a família precisa de uma mãe com as rédeas na mão. Você pai, não pode ser um repolho dentro de casa, todas as vezes que um filho vai até você, você diz para ele procurar a mãe.

As suas ovelhas estão dentro de casa, mas não está dentro de você, não está sobre seu comando. Não queremos encher a cabeça, queremos uma família tranquila, a mãe é uma banana decorativa, o pai é urso panda na sala, e onde está o pastoreio?

Para uma criança chegar a autonomia, ela precisa de adultos dando as rédeas. Não há nada pior nessa vida do que você se sentir sozinho, não falo de solidão do corpo, pois esta vai embora é só chegar perto de gente. Pior solidão é quando você não tem ninguém para falar o que sente e pensa. Você tem que pastorear sua esposa, seu esposo todos os dias, não é vigiar, é amar.

Muitas mulheres que são casadas já estão solteiras a muito tempo, não tem com quem dividir pensamentos e sentimentos. No início é tudo tão lindo, o primeiro filho, o pai quer dar banho, ama com todas as forças no início e depois não suporta as mínimas coisas.

Existe tantos pais que amam somente o filho na infância e depois se cansa. Nós não podemos cansar do pastoreio. O pastor que vai ficando indiferente aos poucos vai perdendo a confiança. Se você descobre que seu marido está indiferente, você vai esfriando. É preciso do romantismo do início de namoro. Romantismo faz bem, tem que manter. Abrimos mão de fazer da nossa casa romântica. O pastor não pode ser indiferente ao rebanho que tem. As vezes fazemos de tudo para chamar a atenção do outro e não conseguimos e vamos ficando agressivo; quantas vezes a agressividade do filho é um pedido de socorro, “Pai seja meu pastor”.

Você pode ser engenheiro, médico, administrador, empresário, mas o principal ofício que você tem é ser pai, é ser pastor de sua casa. Muitas vezes jogamos o pastoreio de nossa casa para que outros façam, crianças que tem aulas das 7 da manhã até as 10 da noite. E que horas você dá a sua aula? Quem precisa mandar na sua casa é você. Vai ser pai, vai ser mãe, pelo amor de Deus, mergulhe na sabedoria, porque comandar a casa com burrice, é a pior coisa que existe. Vá se preparar para essa paternidade, vai ser um homem de oração. Quando Deus entra na nossa vida, fica mais fácil viver. Pai e mãe que reza educa muito melhor do que um pai que não reza. Para que você seja um bom pastor na sua casa, reze.

Não temos como fugir disso, enquanto eu tiver vida, eu quero continuar te ajudando, pois o que me interessa é a sua felicidade. Eu não faço milagre, eu quero ter fé, para ver os milagres acontecerem. Nunca se esqueça que o seu pastoreio é o maior milagre que você pode realizar nessa vida.

Transcrição e adaptação: Regiane Calixto

Padre Fábio de Melo
Padre que evangeliza como cantor, compositor, escritor e apresentador do programa "Direção espiritual" na TV Canção Nova.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Padre já vendeu 1,5 milhão de CDs

Com 11 CDs lançados e o primeiro DVD a caminho, o mineiro Fábio de Melo, 37, diz que nunca estudou música: "É só intuição'

"O celibato está a meu favor, não vejo restrição", diz ele, que lançou em setembro seu CD mais recente, "Vida", com tiragem de 500 mil

Em três meses, ele vendeu 500 mil CDs, mas não é nenhum astro de ritmos pop. É padre, faz música com elementos religiosos, critica a Teologia da Libertação, defende o celibato como sua opção de vida e relata já ter tido seus "namorinhos" antes da ordenação. Ele é o mineiro Fábio de Melo, 37, para quem a música e o sacerdócio são indissociáveis.

"Eu não consigo dissociar a minha vida da música", diz, para em seguida completar: "Para mim, ser padre é, antes de tudo, um jeito de ser. Tudo aquilo que eu faço é um desdobramento de ser padre".

Dessa mistura de fé, música e devoção, surgiram 11 CDs, que venderam 1,5 milhão de cópias. Lançado em setembro pela LGK/Som Livre, o último, "Vida", tem tiragem de 500 mil.

Curiosamente, o padre Fábio de Melo, que toca violão, diz que nunca estudou música. "É só intuição mesmo."

Mas música e fé tiveram origem familiar. Seu pai "tocava moda de viola" e em sua casa ouvia-se Tom, Chico e Caetano. Ao mesmo tempo, sua família cultivava "uma vida cristã muito ativa" em Formiga (MG).

A banda do seminário

O gosto pela música cresceu quando entrou no seminário, aos 16 anos, em Lavras (MG). Formou com outros seminaristas uma banda que "revolucionou o seminário" e animava as missas. "Isso me incentivou muito a acreditar que o trabalho de padre também poderia estar diretamente ligado a um trabalho musical."

No seminário, o padre Fábio não era interno. Estudou em colégios e faculdade abertos à comunidade e se ordenou aos 31 anos. É dessa época, antes da ordenação, que ele fala com a maior naturalidade de suas experiências amorosas.
"Tive meus namorinhos, sim. Não tem como amadurecer uma opção pelo celibato sem que você tenha se apaixonado também. Eu não fiquei padre porque não tive opções. Poderia ter construído uma família, mas não foi um desejo meu. Namorei, paquerei muito. Isso faz parte da vida."

Hoje em dia, ele se diz um celibatário convicto e relata que o assédio que sofre por parte dos fãs é muito mais "virtual [por e-mail] do que real".

"O celibato está a meu favor. Eu não o vejo como uma restrição, eu o vejo como uma possibilidade. Fazer o trabalho que eu faço, levar a vida que eu levo, só é possível sendo como eu sou, assumindo o celibato como uma proposta de vida."

O padre-cantor acredita, porém, que a Igreja Católica, no futuro, ordenará homens casados -e o celibato será uma opção que ele não abrirá mão.

Sobre outra questão polêmica da Igreja, a Teologia da Libertação, ele é crítico.

"Ela teve uma contribuição muito grande por abrir um espaço de reflexão, mas, por outro lado, banalizou muito a dimensão do rito e daquilo que é sagrado. Não precisa disso. A vida é sagrada."

Com mestrado em antropologia teológica e ex-professor universitário, o padre diz: "O Evangelho já me serve. Não preciso de outra ideologia. A postura de Jesus me orienta".

Ele também rejeita o rótulo de conservador e afirma que o maior desafio da Igreja Católica no Brasil é melhorar sua comunicação: "Temos de qualificar a vida ritual. Dar mais beleza e alegria às nossas celebrações. O rito é muito mecânico".
É algo a que ele se dedica em seu programa semanal de TV na Canção Nova, em seus livros e em seus shows, cuja renda (excluídos os custos) afirma ser revertida para obras sociais da Igreja ou de outras instituições.

Fará isso também numa nova mídia: seu primeiro DVD será gravado mês que vem no Rio de Janeiro, com renda destinada parcialmente à Sociedade Viva Cazuza e a outra instituição vinculada à Igreja.

O segredo do sucesso, ele conta, está em falar de modo simples ao público. "Faço questão de evangelizar a partir de questões cotidianas. Esse era o fascínio de Jesus. Ele falava de joio, de trigo."

Por Pedro Soares
Fonte: Folha de São Paulo