Mostrando postagens com marcador Nelson Mandela. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nelson Mandela. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Mandela 'inspirou a luta no Brasil e na América do Sul', diz Dilma em tributo

Sob os olhares de cerca de 80 mil pessoas, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira (10), durante tributo na África do Sul a Nelson Mandela, que o exemplo do líder negro inspirou o Brasil e a América do Sul. Segundo Dilma, Mandela foi "a personalidade maior do século 20".

"Trago aqui o sentimento de profundo pesar do governo e do povo brasileiro e, tenho certeza, de toda a América do Sul pela morte desse grande líder Nelson Mandela. O apartheid que Mandela e o povo derrotaram foi a forma mais elaborada e cruel da desigualdade social e política que se tem notícia nos tempos modernos. [Mandela] Inspirou a luta no Brasil e na América do Sul. 'Madiba', como carinhosamente vocês o chamam, constituiu exemplo de referência para todos nós, pela histórica paciência com que suportou o cárcere e o sofrimento", disse Dilma.

Falando em nome do continente sul-americano, a presidente brasileira foi a segunda chefe de Estado a discursar na cerimônia, que lotou o estádio Soccer City, em Johanesburgo, palco da final da Copa do Mundo de 2010, onde Mandela fez sua última aparição pública. O ato na arena de futebol marca o início dos cinco dias de homenagens ao líder sul-africano, que morreu na quinta-feira (5), aos 95 anos. Os tributos devem durar até seu funeral, previsto para este domingo (15).

A presidente brasileira discursou durante 8 minutos, com o auxílio de um tradutor. Em meio à manifestação de pesar pela morte de Mandela, Dilma cometeu um ato falho, referindo-se aos sul-africanos como "sul-americanos".

"O governo e o povo brasileiro se inclinam diante da memória de Nelson Mandela. Transmito à senhora Graça Machel [viúva de Mandela], aos seus familiares, ao presidente [Jacob] Zuma e a todo o povo sul-americano, sul-africano, nosso profundo sentimento de dor e de pesar.  Viva Mandela para sempre!", confundiu-se a presidente brasileira.

Símbolo da luta contra a discriminação racial, Nelson Mandela morreu na quinta-feira (5), em Pretória, aos 95 anos. O corpo do vencedor do prêmio Nobel da Paz de 1993 será enterrado, de acordo com seu desejo, na aldeia de Qunu, localizada na província pobre do Cabo Leste, onde ele cresceu.

Autoridades de todos os continentes viajaram à África do Sul para prestar uma última reverência a Mandela. Entre os 91 líderes mundiais que prestigiaram a cerimônia estão os presidentes Barack Obama (EUA), François Hollande (França), Raul Castro (Cuba), o premiê britânico David Cameron e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

O tributo ao ícone mundial da luta pela igualdade racial teve início por volta do meio-dia (8h no horário de Brasília). Ao longo de toda a solenidade, mesmo sob intensa chuva, as milhares de pessoas que lotaram as arquibancadas cantaram e dançaram para reverenciar o ex-presidente.

A viúva de Mandela, Graça Machel, demonstrou muita emoção ao chegar à arena. Winnie Mandela, ex-mulher do líder negro, foi ovacionada ao ter seu nome anunciado pelo sistema de alto-falantes do estádio.

Dilma começou a discursar pouco antes das 14h (10h no horário de Brasília). Ao se posicionar no púlpito coberto, a presidente do Brasil foi intensamente aplaudida pelo público. Ela destacou no pronunciamento que a nação brasileira, que traz com "orgulho" o sangue africano nas veias, "chora e celebra" o exemplo do líder que "faz parte do panteão da humanidade.

"Sua luta [de Mandela] transcendeu suas fronteiras nacionais e inspirou homens e mulheres, jovens e adultos, a lutarem por sua independência e pela justiça social. Deixou lições não só para seu querido continente africano, mas para todos aqueles que buscam a liberdade e a justiça e a paz no mundo", destacou.


Autoridades

Homem mais poderoso do mundo, Barack Obama foi o primeiro presidente a discursar na cerimônia. Filho de um africano do Quênia, o chefe do Executivo norte-americano fez um breve resgate da trajetória de Mandela ao começar seu pronunciamento. Na visão de Obama, Mandela foi um "gigante da história", que moveu bilhões pelo mundo.

Emocionado, ele lembrou da luta do ex-presidente contra o apartheid, os 27 anos em que o sul-africano passou na prisão e a gestão dele à frente do país, na década de 1990.

"Aos povos de todas as raças, o mundo agradece a vocês por compartilharem Nelson Mandela conosco. A luta dele era a luta de vocês, o triunfo dele foi o triunfo de vocês", enfatizou Obama.

"É tentador lembrar de Mandela como um ícone sorrindo, sereno, descompromissado com os problemas normais dos seres humanos, mas ele transcendeu isso. Em vez disso, Madiba insistiu em compartilhar conosco suas dúvidas, sua fé, seus erros de cálculo, junto com suas vitórias”, completou o presidente dos EUA, ovacionado pelas arquibancadas do estádio.

Para o presidente da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, a África do Sul perdeu um "herói". Já o mundo, ressaltou o dirigente da ONU, "perdeu um mentor". "Nelson Mandela foi um dos maiores líderes de nosso tempo, um de nossos maiores professores", complementou.

O tributo a Mandela foi transmitido em telões instalados em outros três estados de Johanesburgo e em mais 150 locais em toda a África do Sul. O ato também foi transmitido pela televisão para dezenas de países.


Comitiva brasileira

Acompanhada de quatro ex-presidentes da República, Dilma dembarcou na madrugada desta terça em Johanesburgo. Viajaram ao lado da atual chefe do Executivo os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, Fernando Collor de Mello e José Sarney.

A comitiva presidencial partiu para o continente africano da base aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, no início da tarde desta segunda.  Antes de embarcar, Dilma escreveu em sua conta no microblog Twitterque o Estado brasileiro havia se unido para "honrar Mandela".

'Madiba'

O ex-presidente da África do Sul ficou internado de junho a setembro devido a uma infecção pulmonar. Ele havia deixado o hospital e estava em casa.

O corpo do vencedor do prêmio Nobel da Paz de 1993 será enterrado, de acordo com seu desejo, na aldeia de Qunu, localizada na província pobre do Cabo Leste, onde Mandela cresceu. Os restos mortais de três de seus filhos foram sepultados no mesmo lugar, em julho, após ordem judicial.

Conhecido como "Madiba" na África do Sul, nome pelo qual sua tribo é conhecida, Mandela foi considerado um dos maiores heróis da luta dos negros pela igualdade de direitos no país. Ele foi um dos principais responsáveis pelo fim do regime racista do apartheid, uma política de governo que se estendeu por 45 anos e regulamentava a segregação entre brancos e negros.

Foto: Reprodução GloboNews / AP/SABC / Roberto Stuckert Filho / PR
Fonte: G1

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Nelson Rolihlahla Mandela 1918 - 2013


Nelson Rolihlahla Mandela (Mvezo, 18 de julho de 1918  — Joanesburgo, 5 de dezembro de 2013) foi um advogado, líder rebelde e presidente da África do Sul de 1994 a 1999, considerado como o mais importante líder da África Negra, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1993, e Pai da Pátria da moderna nação sul-africana.

Até 2009 havia dedicado 67 anos de sua vida à causa que defendeu como advogado dos direitos humanos e pela qual se tornou prisioneiro de um regime de segregação racial, até ser eleito o primeiro presidente da África do Sul livre, razão pela qual em sua homenagem, a Organização das Nações Unidas instituiu o Dia Internacional Nelson Mandela no dia de seu nascimento, como forma de valorizar em todo o mundo a luta pela liberdade, pela justiça e pela democracia.

Nascido numa família de nobreza tribal, numa pequena aldeia do interior onde possivelmente viria a ocupar cargo de chefia, abandonou este destino aos 23 anos ao seguir para a capital Joanesburgo e iniciar atuação política. Passando do interior rural para uma vida rebelde na faculdade, transformou-se em jovem advogado na capital e líder da resistência não-violenta da juventude em luta, acabando como réu em um infame julgamento por traição, foragido da polícia e o prisioneiro mais famoso do mundo, após o qual veio a se tornar o político mais galardoado em vida, responsável pela refundação do seu país - em moldes de aceitar uma sociedade multiétnica.

Mandela foi criticado muitas vezes por ter traços egocêntricos e por seu governo ter sido amigo de ditadores que foram simpáticos ao Congresso Nacional Africano (CNA). Em seu foro íntimo, enfrentou dramas pessoais e permaneceu fiel ao dever de conduzir seu país. Foi o mais poderoso símbolo da luta contra o regime segregacionista do Apartheid, sistema racista oficializado em 1948, e modelo mundial de resistência. No dizer de Ali Abdessalam Treki, Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, "um dos maiores líderes morais e políticos de nosso tempo".

Saiba mais sobre Nelson Mandela: Clique aqui

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Nelson Mandela morre aos 95 anos

Aos 95 anos de idade, Nelson Mandela lutava há bastante tempo contra uma infecção pulmonar e se afastara há anos da vida política. Mesmo assim, a morte dele, anunciada hoje, causou enorme comoção e uma sensação de vazio mundial.

O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, falou sobre o impacto da morte de Mandela. "Embora soubéssemos que esse dia chegaria, nada pode diminuir nosso profundo e contínuo sentimento de perda". Ele ainda acrescentou: "nossa nação perdeu seu maior filho. Nosso povo perdeu um pai."

Mandela morreu pouco antes das 20h, horário de Brasília, cercado pela família, em casa, para onde havia sido levado depois de três meses internado por causa de uma infecção pulmonar.

Nos últimos dias, o corpo passou a não mais responder aos antibióticos. Os rins pararam, a infecção se generalizou e, aos 95 anos, Mandela faleceu.

Centenas de pessoas fazem vigília em frente à casa do ex-presidente, em Joanesburgo. Mensagens de pesar foram enviadas de várias partes do mundo.

O conselho de segurança da Organização das Nações Unidas fez um minuto de silêncio. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse "que ninguém no nosso tempo fez mais do que Mandela para avançar os valores e as aspirações das Nações Unidas".

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha descreveu Mandela como um herói do nosso tempo. "Uma grande luz se apagou do mundo", disse David Cameron.

Poucos minutos depois de receber a notícia, o presidente americano fez um pronunciamento emocionado na Casa Branca. Para Obama, Mandela viveu pelos ideais de liberdade e democracia, transformou o país e emocionou a todos. Ele disse ser uma das pessoas que se inspiraram nele. "Eu não consigo imaginar a minha própria vida sem o exemplo de Nelson Mandela", afirmou Obama.

Nelson Mandela será enterrado conforme sua vontade, na cidade em que nasceu, na zona rural da África do Sul.

Fonte: O Globo