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terça-feira, 12 de agosto de 2014

ARTIGO: Padre explica o que a Igreja católica pensa sobre a guerra - Por Padre Mário Marcelo Coelho

Bem-aventurados os que promovem a paz” (Mt 5,9)

No número 2302 do Catecismo da Igreja Católica lemos: “Ao lembrar o preceito ‘Tu não matarás’ (Mt 5,21), Nosso Senhor pede a paz do coração e denuncia a imoralidade da cólera assassina e do ódio.” O Senhor disse: ‘Todo aquele que se encolerizar contra seu irmão terá de responder no tribunal’” (Mt 5,22).

Toda forma de ódio, de vingança, de violência contra o irmão é um mal e contrária à caridade. O reconhecimento da dignidade do ser humano exige a paz, o respeito aos irmãos e o cultivo da fraternidade e da vida, “obra da justiça” (Is 32,17) e efeito da caridade.

Ainda nos números 2307 e 2308, o Magistério denuncia de modo veemente toda forma de violência: “O quinto mandamento proíbe a destruição voluntária da vida humana. Por causa dos males e das injustiças que toda guerra acarreta, a Igreja insta cada um a orar e agir para que a Bondade Divina nos livre da antiga escravidão da guerra. Cada cidadão e cada governante deve agir de modo a evitar as guerras. Enquanto, porém, houver perigo de guerra, sem que exista uma autoridade internacional competente e dotada de forças suficientes, e esgotados todos os meios de negociação pacífica, não se poderá negar aos governos o direito de legítima defesa”.

O Papa João XXIII, na encíclica Pacem in Terris, afirma que os conflitos devem ser resolvidos pela negociação e não pela guerra (126).  De forma mais contundente, afirma ainda: “Torna-se absurdo sustentar que a guerra é um meio apto para repor o direito violado” (127). A constituição pastoral Gaudium et Spes condena radicalmente toda ação bélica levada a cabo por qualquer tipo de armamento com a  destruição massiva (GS 80). Portanto, existe uma condenação explícita da guerra total. Para o Magistério, o objetivo de todas as nações deve ser a eliminação de toda guerra (GS 82).

O Papa Francisco, na oração do Ângelus do dia 27 de julho de 2014, fez um apelo para que cessem os confrontos, as guerras através de “um diálogo paciente e corajoso” em prol da paz. “Peço-vos, de todo o coração: por favor, parem (os ataques). É tempo de parar”, exclamou o Pontífice. E ainda: “Peço que se unam em minha prece para que o Senhor conceda às populações e às autoridades destas regiões a sabedoria e a força necessárias para que seja obtido com determinação o caminho da paz”.

O Papa citou a dor das pessoas que vivem em guerra destacando a situação das crianças: “Nunca a guerra. Penso sobretudo nas crianças, das quais se tira a esperança de uma vida digna, de um futuro: crianças mortas, crianças feridas, crianças mutiladas, órfãs, cujos brinquedos são resíduos bélicos, crianças que não sabem sorrir. Parem, por favor! Peço-vos de todo o coração. É hora de parar! Parem, por favor!”.

Homens e mulheres deverão trazer em seus corações a esperança, o desejo cada vez mais contrário à guerra como instrumento de solução dos conflitos entre os povos, e sempre mais inclinados à busca de instrumentos eficazes, mas “não violentos”, para bloquear o agressor armado (cf. João Paulo II, Carta Encíclica Evangelium Vitae n. 27).

Padre Mário Marcelo Coelho, scj
Doutor em Teologia Moral

domingo, 23 de março de 2014

Por que jejuar? O jejum e a abstinência fazem parte deste sistema de freios que, no ser humano

Ao tratarmos da cura de gastrimia (gula), a primeira coisa que nos vem à mente, evidentemente, é o jejum. No entanto, sejamos sinceros, quem é que ainda leva a sério o jejum? Para a maior parte das pessoas, o jejum é uma prática antiquada, desnecessária, quando não, completamente absurda. Até entre os “bons católicos” a prática do jejum é vista com desconfiança. Afinal, somos pessoas equilibradas. Nada de radicalismos! Quando muito, ainda é possível encontrar quem se recorde do velho Catecismo: “O quarto mandamento [da Igreja]: jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja”. Mas quando é que a Santa Mãe Igreja no manda jejuar? A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou, em 1987, a Legislação Suplementar ao Código de Direito Canônico, que diz o seguinte:

Quanto aos cânones 1251 e 1253:

1. Toda sexta-feira do ano é dia de penitência, a não ser que coincida com solenidade do calendário litúrgico. Os fiéis, nesse dia, se abstenham de carne ou outro alimento, ou pratiquem alguma forma de penitência, principalmente obra de caridade ou exercício de piedade.

2. A Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa, memória da Paixão e Morte de Cristo, são dias de jejum e abstinência. A abstinência pode ser substituída pelos próprios fiéis por outra prática de penitência, caridade ou piedade, particularmente pela participação nestes dias na Sagrada Liturgia.
Bem, talvez, do jejum e da abstinência na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, a maior parte dos católicos se recorde. Porém, é provável que a maioria não faça a mínima ideia de que a abstinência de carne, às sextas-feiras, ainda existe! Mas isso não é motivo para que alguém se sinta mal. Muitos e nobres eclesiásticos sofrem da mesma miséria… Magra consolação!

“Mas isso é somente uma lei da Igreja!”, alguém poderia dizer. E, depois de constatar esta obviedade, desfiar um rosário de argumentos contra a prática do jejum: “Não está na hora de a Igreja deixar de lado essas tradições medievais? Por que incentivar o jejum? Não existe algo de mal neste masoquismo de querer se penitenciar? Isto não prejudica a saúde? Qual o sentido do jejum, se a pessoa não trabalha para transformar a sociedade?”.

Com argumentos desse tipo, livramo-nos do problema, varrendo-o para debaixo do tapete. Acho que os Santos Padres não estariam exatamente de acordo com este procedimento.

Santo Tomás de Aquino (1225-1274), que era um mestre em argumentação, ensina-nos a distinguir duas realidades diferentes no jejum:

a) O mandamento da Igreja

b) A lei natural

Os dias em que eu devo jejuar e as formas de realizar este jejum são uma lei da Igreja (a). Mas o jejum não é uma invenção da Igreja. A necessidade de jejuar é uma lei que Deus imprimiu na natureza humana (b), ou seja, compete às autoridades da Igreja determinar alguns tempos e modos de jejuar, já que é dever dos pastores cuidar do bem das ovelhas. No entanto, mesmo se não houvesse uma legislação canônica, as pessoas teriam de jejuar, pois se trata de uma exigência da própria natureza do homem. Sim, é isto mesmo! Por estranho que possa soar aos seus ouvidos, a ascese e o jejum são imperativos da ética humana natural e não uma tradição de algumas religiões e culturas exóticas. O jejum e a abstinência são instrumentos necessários para que possamos chegar a ser, não heróis ou semideuses, mas simplesmente… humanos”!

Talvez, uma comparação nos ajude a compreender melhor esta realidade. Quando alguém compra um carro, as montadoras geralmente dão a oportunidade de a pessoa escolher os “opcionais”: ar-condicionado, air-bag, direção hidráulica etc. Mas, num automóvel, o sistema de freios não é um opcional. O freio é um componente essencial do próprio veículo. De nada adiantaria ter um automóvel se ele não tivesse um freio.

O ser humano também é assim. Precisamos de um sistema de freios, de algo que nos sirva de limite, porque a vida humana desregrada é semelhante a um carro desgovernado. O que era uma bênção transforma-se numa maldição. O jejum e a abstinência fazem parte deste sistema de freios que, no ser humano, recebe um nome: virtude da temperança.

Trecho retirado do livro: "Um olhar que cura"


Por Padre Paulo Ricardo

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Que todos sejam um!

Os cristãos devem professar, juntos, a mesma verdade sobre a cruz

Nosso Senhor Jesus Cristo chama todos os Seus discípulos à unidade. Unidos na esteira dos mártires, os cristãos devem professar, juntos, a mesma verdade sobre a cruz. A corrente anticristã propõe dissipar o seu valor, esvaziá-la do seu significado, negando que o homem possa encontrar nela as raízes da sua nova vida e alegando que a cruz não consegue nutrir perspectivas nem esperanças: o homem — dizem — é um ser meramente terreno, que deve viver como se Deus não existisse.

A Igreja, como mãe e mestra, deve estar empenhada em libertar-se de todo o apoio puramente humano para viver profundamente a lei evangélica das bem-aventuranças. Isso é tão significativo que o próprio Papa Francisco as fixou como tema dos três próximos anos para as Jornadas da Juventude, colocando em relevo a misericórdia, o perdão e a acolhida de todos com a mesma caridade com que Cristo acolhe Seus discípulos. Ciente de que a verdade não se impõe senão pela sua própria força, que penetra nos espíritos de modo ao mesmo tempo suave e forte, nada procura para si própria senão a liberdade de anunciar o Evangelho. De fato, a autoridade da Igreja exerce-se no serviço da verdade e da caridade.

O anúncio messiânico – "completou-se o tempo e o Reino de Deus está perto" – e o consequente apelo – "convertei-vos e crede no Evangelho" (Mc 1, 15) –, com os quais Jesus inaugura a Sua missão, indicam o elemento essencial que deve caracterizar e ser o centro propulsor da nossa unidade arquidiocesana: a exigência fundamental da evangelização em cada etapa do caminho salvífico da Igreja. O Concílio Vaticano II apela tanto à conversão pessoal como à conversão comunitária. O anseio de cada comunidade cristã pela unidade cresce ao ritmo da sua fidelidade ao Evangelho. Ao referir-se às pessoas que vivem a sua vocação cristã, o Concílio fala de conversão interior, de renovação da mente e da ação pastoral. Assim, cada um tem de se converter mais radicalmente ao Evangelho e, sem nunca perder de vista o desígnio de Deus, deve retificar o seu olhar para fazer a vontade d'Ele em renovado ardor missionário, levando a Boa Nova de Cristo nas redes de comunidade, indo ao encontro dos que estão afastados.

O Papa Francisco, na sua Encíclica Lumen Fidei, no número 47, ensina que: "A unidade da Igreja, no tempo e no espaço, está ligada à unidade da fé: 'Há um só Corpo e um só Espírito, (...) uma só fé' (Ef 4, 4-5). Hoje, pode parecer realizável a união dos homens com base num compromisso comum, na amizade, na partilha da mesma sorte com uma meta comum, mas sentimos muita dificuldade em conceber uma unidade na mesma verdade. Parece-nos que uma união do gênero se oporia à liberdade do pensamento e à autonomia do sujeito. Pelo contrário, a experiência do amor diz-nos que é possível termos uma visão comum precisamente no amor: neste, aprendemos a ver a realidade com os olhos do outro e isto, longe de nos empobrecer, enriquece o nosso olhar. O amor verdadeiro, à medida do amor divino, exige a verdade e, no olhar comum da verdade que é Jesus Cristo, torna-se firme e profundo. Esta é também a alegria da fé: a unidade de visão num só corpo e num só espírito. Nesse sentido, São Leão Magno podia afirmar: 'Se a fé não é una, não é fé".

O Papa pergunta qual é o segredo desta unidade? "A fé é una, em primeiro lugar, pela unidade de Deus conhecido e confessado. Todos os artigos de fé se referem a Ele, são caminhos para conhecer o seu ser e o seu agir; por isso, possuem uma unidade superior a tudo quanto possamos construir com o nosso pensamento; possuem a unidade que nos enriquece, porque se comunica a nós e nos torna um".

A imensa promessa e as energias vibrantes de uma nova geração de católicos estão esperando para serem aproveitadas para a renovação da vida da Igreja. Estejamos, particularmente, próximos dos homens e mulheres, dos jovens e dos que estão na melhor idade, da infância e das crianças, e também dos que estão empenhados em seguir Cristo sempre com maior perfeição na generosidade, abraçando os conselhos evangélicos. Com o enfraquecimento progressivo dos valores tradicionais cristãos e a ameaça de um período no qual nossa fidelidade ao Evangelho pode nos custar muito caro, a verdade de Cristo não apenas precisa ser compreendida, articulada e defendida, mas proposta com alegria e confiança, como a chave para a realização humana autêntica e para o bem-estar da sociedade como um todo, recordando que Cristo nos chama a viver a unidade que só Ele pode nos dar. Nossa Igreja deve estar em permanente estado de missão. Que a unidade que esperamos seja perpassada pelo nosso compromisso de fidelidade a Cristo, ao seu Evangelho, em sintonia com a Santa Igreja, sendo santo na sua vida cotidiana e eclesial. Viver a santidade não é um privilégio de poucos. Pelo batismo todos nós recebemos a herança de nos tornarmos santos. Ser santo é uma vocação para todos os fiéis. Todos nós somos chamados a percorrer o caminho da santidade, e o caminho que leva à santidade e à unidade tem um nome e um rosto: Jesus Cristo. No Evangelho, Ele nos mostra a estrada das bem-aventuranças.

Por isso, rezemos ao Cristo Redentor para que possamos acolher e anunciar o Reino dos Céus. E isso somente será possível para aqueles que não depositam sua confiança nas coisas humanas, no ajuntamento do ser, do ter e do poder, mas no amor de Deus. Unidos em Cristo, buscando viver com o testemunho dos Santos, sejamos encorajados a não ter medo de caminhar contra a corrente ou ser mal-entendidos e ridicularizados quando falamos de Cristo e do Evangelho, que evangelizamos para superar as diferenças, e, na diversidade de carismas e como Igreja, possamos testemunhar Cristo "ut omnes unum sint".

Foto Dom Orani João Tempesta, O. Cist

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Como manter a atração na vida conjugal?


Isso implica no cultivo de certos cuidados

Quem não se lembra dos inícios de namoro? Nesse começo do envolvimento, a pessoa apaixonada pega-se pensando no outro a todo instante, em tudo vê algo que remete seus pensamentos à pessoa por quem tem um amor ainda platônico. Assim, o galanteador, por meio dos olhares trocados ou nas conversas – que apesar de parecerem bobas, não são descartadas pela pretendente de imediato –, lança mão de todas as “manobras”, a fim de prolongar os momentos na presença do outro.

Independente da época em que o casal tenha se conhecido ou da realidade social na qual cada um viva, quase sempre, em seus encontros, estão presentes as mesmas táticas de um jogo de sedução e de desejo silencioso entre eles.

Um jogo que, nas abordagens, visa a aproximação junto da pessoa com o propósito de estabelecer com ela um romance.

Das experiências vividas em outros relacionamentos, aprende-se que, ainda que seja muito agradável estar com alguém bonito, somente os lindos olhos azuis da menina ou o físico “malhado” do rapaz, não tem forças suficientes para sustentar um envolvimento a longo prazo.

Isso nos faz perceber que apenas o sentimento de atração física por alguém não é sinal de amor.
Amar é muito mais do que desejar estar perto de alguém ou se sentir atraído (a) pelos atributos do (a) pretendente.

Apesar de a atração física não ser unicamente a base de um relacionamento, na vida a dois o desejo e o amor pelo outro se complementam como ingredientes para compor as bases dessa relação. Se a atração física desperta em nós o desejo por alguém, o amor amadurecido nos provoca a querer permanecer no propósito de construir a felicidade com a pessoa.

Assim como numa orquestra é preciso que haja harmonia e nenhum deslize pode acontecer na execução da música, na sinfonia da vida conjugal muitas coisas precisam estar também afinadas entre os cônjuges.

Isso implica na retomada daqueles cuidados que, ainda como namorados, o rapaz e a moça procuravam cultivar em cada encontro, isto é, o interesse do outro para si!

Se tal atenção deixou de fazer parte da agenda do casal, ainda é tempo de recomeçar. Não podemos considerar que somente por estarmos casados, não há mais a necessidade de continuar provocando boas sensações no nosso cônjuge. O desejo em continuar atraindo o outro, por meio dos encantamentos, dos cuidados e dos atributos naturais, deverão ser cultivados e alimentados ao longo da vida conjugal.

Além das obrigações comumente realizadas pelo casal, os momentos de romance e intimidade entre marido e mulher precisam ser observados com o mesmo grau de importância com que eles se dedicam às outras tarefas, pois não é porque já nos encontramos casados que devemos abolir da vida conjugal a arte de continuar seduzindo aquela pessoa que nos faz sentir realizados.
Um abraço!

Foto
Dado Moura
contato@dadomoura.com
Dado Moura é membro aliança da Comunidade Canção Nova e trabalha atualmente na Fundação João Paulo II para o Portal Canção Nova como articulista. Autor do livro Relações sadias, laços duradouros e Lidando com as crises
Outros temas do autor: www.dadomoura.com
twitter: @dadomoura
facebook: www.facebook.com/reflexoes

sábado, 10 de agosto de 2013

Os pais são passíveis de erros


Meu pai não era um homem sem falhas, fragilidades e erros, mas foi sempre um verdadeiro pai. Pela graça de Deus, eu tive um pai de verdade. Coloco, aqui, toda a força da palavra "verdadeiro". Papai era pedreiro, viveu uma vida muito dura desde menino. Fomos sempre pobres. Passamos por muitas dificuldades, não só financeiras. Muito do que sou e faço, e até mesmo o meu jeito de ser, eu o devo a meu pai.

Sei que muitas pessoas podem dizer a mesma coisa que eu. Tiveram um verdadeiro pai. Certamente, você é uma dessas pessoas. Então, podemos dizer juntos: ter pai é bom demais!

Preciso, porém, ser realista e admitir que nem todos tiveram a mesma experiência. Muitos sofreram duramente com o próprio pai, muitos carregam graves feridas no coração por causa de seus progenitores, outros nem mesmo o conheceram. Tudo isso é muito sofrido e atinge algo essencial em nossa vida: a necessidade de ter um pai, um verdadeiro pai. Mas nenhum progenitor é perfeito e não podemos nutrir essa ilusão.

Todo pai é humano, por isso é falho, frágil e comete erros. Alguns cometem grandes erros, mas é inegável: todos precisamos ter um verdadeiro pai.

Por que nem todos têm essa feliz experiência paterna? De olhos abertos para a realidade, sou obrigado a dizer que o mundo atual, que hoje tem sido regido por aquele que Jesus chamou de "o príncipe deste mundo" [maligno], tem roubado de muitos homens o maravilhoso dom da paternidade.

Todo homem chamado a ser pai traz em si o dom da paternidade e esse dom vem diretamente de Deus, o Pai por excelência. O príncipe deste mundo, porém, manipulando as realidades daquilo que Jesus chamou também de "o mundo", agride violentamente o dom da paternidade do qual todo pai é portador. Ou ele o sufoca e não o deixa vir à tona ou o arranca com violência e o rouba. Essa é a infeliz realidade com a qual nos defrontamos hoje. Daí, tantas vítimas e todas as consequências que disso decorrem.

Preciso, porém, lhe dizer: esses pais acabaram sendo mais vítimas do que culpados. Eles precisam da misericórdia de Deus, necessitam também da nossa misericórdia e do nosso perdão. Sei que não é fácil, especialmente para quem foi muito machucado por seu pai e, talvez, continue ainda sofrendo com ele. Mas não podemos negar, esse é o remédio; dolorido, mas o único e grande remédio, pois todos nós queremos a transformação de nosso pai e, acima de tudo, a sua salvação eterna.

Queira perdoar e envolver de misericórdia seu pai. A chave está no querer, porque o Senhor é o primeiro interessado em lhe dar essa graça. O grande beneficiado será você mesmo. Portanto, não se fixe nos seus sentimentos; queira e deixe o Senhor agir. Veja bem: não é sentir, é querer... e o Senhor agirá!

Essa é a grande chance para você nesse tempo: receber a graça de um coração novo e celebrar de maneira totalmente diferente o Dia dos Pais.

Ter pai é bom demais!

Deus o abençoe!

Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Amor e sexo na vida conjugal

A falta de atitude desgasta qualquer relacionamento

Dentre as muitas definições que arriscamos fazer sobre a palavra “amor”, nenhuma delas poderá ser eficaz se não houver o comprometimento das pessoas naquilo que lhes traz a realização mútua.

Algumas pessoas vivem seu relacionamento conjugal de maneira bastante turbulenta, com abusos, violência ou em situações de egoísmo que jamais poderiam ser estabelecidas num convívio, o qual tem como princípio o crescimento comum. Tal relacionamento, se assim permanecer, alcançará uma condição insustentável, fazendo com que um dos cônjuges opte pela separação, ainda que tenham se casado por amor.

Todavia, muitos casos de separação não acontecem somente pelas agressões sofridas por um dos cônjuges. Outras situações podem fazer com que os casais vivam a separação silenciosa, a qual facilmente poderá resultar no rompimento do compromisso conjugal ou permitir a abertura para relacionamentos paralelos, alegando que o amor e o encantamento do início tenham desaparecido entre eles.

Muito se comenta sobre a necessidade de o casal fazer o resgate do romantismo, mesmo tendo acumulado algumas dezenas de anos de vida conjugal. Mas o que eu tenho recebido como resposta é a dificuldade em recuperar tal sentimento devido às muitas “cinzas” surgidas sobre “as brasas” daquele amor que originou o casamento. Isso porque a falta de comprometimento e de atenção às outras queixas – inclusive no que diz respeito à vida sexual do casal – esvaziou-se ao longo do tempo.

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Conhecemos as responsabilidades e os compromissos que envolvem a vida conjugal, aquilo que é o prático para a manutenção do lar e da família. Dessas atividades, parece ser prioritário tanto para as esposas quanto para os maridos o cumprimento de seus afazeres estabelecidos como metas do dia, mesmo que para isso eles tenham que aplicar todo seu esforço físico. Dentro dessa dinâmica própria da vida conjugal, os casais podem deixar-se envolver pelas muitas atividades que compreendem o seu dia a dia.

Contudo, é importante para eles se lembrarem de também valorizar outras atitudes que alimentam e fazem a manutenção do amor que desejam nutrir na relação entre homem e mulher, pois, se quando eles eram apenas namorados, foram capazes de fazer todas outras coisas e ainda disponibilizar de um tempo para se prepararem para a (o) namorada (o), hoje as manifestações de carinho para com o cônjuge precisam ter o mesmo grau de importância.
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Os momentos de namoro entre os casados não podem acontecer ou serem esperados apenas nas ocasiões de celebração como aniversários de casamento ou em uma viagem, tampouco podem ficar presos a dias específicos da semana.

Se as inúmeras tarefas domésticas, tanto para o marido quanto para a esposa, roubam esses momentos, talvez fosse interessante para os cônjuges incluir, naquilo que é de suas ocupações, também a vivência da intimidade como parte integrante do relacionamento.

A falta de atitude para uma mudança desgasta qualquer relacionamento e, no caso do casamento, poderá minar até mesmo o desejo em trocar beijos mais calorosos ou criar outros momentos de sedução, os quais poderiam propiciar a intimidade.

As bases para esses momentos acontecem quando lembramos que o nosso cônjuge também tem desejos íntimos e espera vivê-los com quem se casou. Vale notar que tal momento, mais que extravasar a libido, deverá ser resultado de outros gestos que ratificam uma união, na qual, seus efeitos extrapolam no tempo e no contato físico. Tudo ganha um novo significado.

Assim, para evitar as famosas escapulidas ou justificativas como o cansaço, a falta de disposição, o sono, a preguiça e a mais conhecida de todas as desculpas – a dor de cabeça – para se esquivarem da intimidade conjugal, o casal optaria por aplicar também para a vida sexual o mesmo grau de interesse com que valorizam suas outras obrigações.

É certo que o trabalho, as obrigações com a família e o lazer são importantes, contudo há uma maneira própria de cada um fazer o cônjuge se sentir sempre o “número 1” como foi em tempos de namoro.

Um abraço!
Foto
Dado Moura
contato@dadomoura.com
Dado Moura é membro aliança da Comunidade Canção Nova e trabalha atualmente na Fundação João Paulo II para o Portal Canção Nova como articulista. Autor do livro Relações sadias, laços duradouros e Lidando com as crises
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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Família, célula mater em debate no 18º ENA - Por Ezequiel Sena

Um bom encontro insinua aproximação mútua, requer cuidados de quem prepara e gestos firmes de quem coordena. Nem que eu consumisse todo o meu estoque de adjetivos – que não é grande coisa – não conseguiria expressar o que aprendi ao participar, semana passada, (06 a 12), do 18º ENA – Encontro Nacional do Movimento Familiar Cristão realizado em nossa cidade. Todavia, tinha consciência de estar compartilhando de um momento histórico, especial e inesquecível em Vitória da Conquista (BA). A responsabilidade de organizar um evento desta grandeza, para receber quase 500 pessoas do Brasil inteiro, não é coisa tão simples, exige planejamento, esforço, dedicação e muita disponibilidade das pessoas envolvidas. E o mais curioso disso, é que todos aqueles que aqui vieram ficaram hospedados nas casas dos emefecistas conquistenses.
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Para se ter ideia, logo na abertura, dia 06, já se notava a distinção do 18º ENA. Além das lideranças encontristas, autoridades e representantes da sociedade civil prestigiaram o Evento, e aplaudiram de pé a apresentação das caravanas na quadra poliesportiva do Ginásio das Sacramentinas; com a Banda de Música da Policia Militar entoando os hinos Nacional, Estadual e da Cidade, enquanto um pelotão de estudantes da PM perfilava com as Bandeiras dos Estados. Em seguida, o desfile das delegações, um belo espetáculo, parecido com a cerimônia de abertura de uma olimpíada. E à noite, ainda, no auditório do Colégio, a celebração eucarística, presidida pelo Arcebispo Dom Luiz Gonzaga da Silva Pepeu.
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Mas, para que tudo saísse dentro do planejado, segundo seus organizadores, os preparativos foram traçados desde julho 2010, após o encerramento do 17º ENA, em Vila Velha (ES), mesmo porque, os Encontros Nacionais têm a periodicidade de três anos e se constituem em necessidades absolutas para a existência do MFC. “Reuniões mensais, muita dedicação, doação e disponibilidade foram os ingredientes indispensáveis para a realização deste ENA”, garante o coordenador da Equipe de Comunicação, Rubens Carvalho.
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Já as palestras, os debates e demais atividades começaram no domingo, (07), com todas as estruturas montadas no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima e, simultaneamente, na Escola Normal (Instituto de Educação Euclides Dantas), espaço adequado para a alocação das comunidades.
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Bem sugestivo, e muito importante para o momento atual que vivemos, foi a escolha do tema “Famílias: abram os olhos para os desafios do século XXI”, cujo lema é: “Eu vim para que todos tenham vida, vida em abundância (Jo. 10,10)”. A Coordenação Nacional do MFC afirma que este Encontro tem como objetivo principal criar espaços de debates e reflexões sobre a ‘instituição família’, já que no mundo atual ela atravessa um estranho turbilhão de ofertas e facilidades que cria apenas expectativas, mas não dá sustentabilidade nem padrões afetivos de convivência.
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Como participante, estou convicto de que os debates produziram respostas significativas para o resgate dos valores da ‘cédula mater, a família’ atualmente tão desgastados. Creio, também, devido o voluntariado e a receptividade dos conquistenses, este Evento serviu de modelo para o próximo, em 2016, na cidade de Maringá (PR). E, se Deus permitir, estaremos lá!

Por Ezequiel Sena

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Sinal da Cruz: conheça sua história e a forma correta de fazê-lo

"O sinal da cruz no limiar da celebração, assinala a marca de Cristo naquele que vai pertencer-lhe e significa a graça da redenção que Cristo nos proporcionou por sua cruz". Esta é a explicação que o Catecismo da Igreja Católica (cf. CIC nº 1235) dá para o gesto que acompanha os cristãos há séculos como sinal da fé que professam.

Os primeiros registros da prática devocional do sinal da cruz estão no escrito De corona militis de Tertuliano. O texto diz: "Em cada caminhada e movimento, em cada entrada e saída, no vestir, no calçar, no banho, no estar à mesa, no acender as luzes, no deitar, no sentar, no lidar com qualquer ocupação, marcamos a testa com o sinal da cruz" (3,4. PL 2, 80A).

De acordo com o padre Paulo Ricardo, sacerdote na Arquidiocese de Cuiabá, Tertuliano apresenta algo que já era tradicional para a Igreja na época, por volta do início do século III. No entanto, explica o padre, esse sinal provavelmente era o pequeno sinal feito na testa, visto que este tem registros bíblicos, nas profecias bíblicas.

No Livro de Ezequiel (Ez 9,4), o profeta tem uma visão de Deus falando ao anjo: "passa no meio da cidade, no meio de Jerusalém e marca com um Tau (sinal da cruz) na testa dos homens que gemem por tantas abominações que nela praticam". Segundo padre Paulo, o sinal, fundamentado da Bíblia, não demorou para ser reconhecido pela Igreja como sinal da cruz de Cristo.

"Por causa dessa relação, o sinal da cruz pequeno foi se estendendo. Até que se chegou na controvérsia cristológica do monofisismo (Jesus, uma só natureza), algumas pessoas, para atestar a fé de que em Jesus existem duas naturezas, passaram a fazer o sinal da cruz com dois dedos e ampliaram o sinal, para que os dois dedos foram notados", relatou o sacerdote.

A Simbologia do Sinal da Cruz

Conforme explicação de padre Paulo, o "pequeno sinal da cruz" passou a ser feito da testa ao peito, do ombro esquerdo para o direito, com os dois dedos. Passados os anos, com a intenção de simbolizar a Santíssima Trindade, os cristãos traçavam o sinal da cruz com três dedos e dois recolhidos, lembrando as duas naturezas de Cristo. A riqueza deste sinal fez com que este se estendesse por toda a Idade Média, inclusive no Ocidente.

O Papa Inocêncio III escreveu sobre o assunto e explicou como o sinal da cruz deveria ser feito pelos cristãos da época. "O sinal da cruz deve então ser feito com três dedos, pois ele assinala sob a invocação da Trindade; a respeito da qual disse o profeta: "quem pendurou com três dedos a massa da terra?’ (Isaías 40,12). É assim que se desce do alto para baixo, e da direita se passa à esquerda, pois Cristo desceu do céu à terra e dos Judeus passou para os gentios. Alguns [sacerdotes], porém, fazem o sinal da cruz da esquerda para a direita, pois devemos passar da miséria para a glória, assim como Cristo passou da morte para a vida e do inferno para o paraíso, para que eles assinalem a si mesmos e os outros em uma só direção”.

No entanto, padre Paulo Ricardo esclarece que, atualmente, a legislação para o Ocidente com relação ao sinal da cruz está contida no Cerimonial dos Bispos. Na nota de nº 81, no número 108, verifica-se uma citação do antigo ritual romano para a celebração da Missa, que diz:

"Ao benzer-se, volta para si a palma da mão direita com todos os dedos juntos e estendidos, faz o sinal da cruz da fronte ao peito do ombro esquerdo ao direito. Quando abençoa os outros ou benze outras coisas, [o bispo] volta o dedo mínimo para aquilo que abençoa e ao abençoar estende a mão direita mantendo os dedos juntos e unidos."

De acordo com o padre, a rica simbologia nesta forma de fazer o sinal da cruz está na representação das chagas de Cristo.  “Os cinco dedos estendidos, representam as cinco chagas de Cristo, que são o sinal da cruz. Cristo, com a sua cruz, tira toda a condenação do homem (por isso, da esquerda para a direita).”

Como termina o Sinal da Cruz?


Sobre a maneira que se deve finalizar o sinal da cruz, padre Paulo explica que, liturgicamente, o correto é terminá-lo com as mãos juntas ou postas.

"Antigamente, tinha-se o costume de fazer o sinal da cruz com o terço na mão direita. Ao concluir o gesto, beijava-se a cruz. No entanto, com o passar dos anos, o mesmo gesto continuou sendo feito, porém, sem o terço, ou seja, as pessoas faziam o sinal da cruz e beijavam a mão, sem o terço", explicou. Essa tradição atravessou as gerações e chegou até os tempos atuais. Mas, segundo o padre, a maneira litúrgica, o correto é terminar o sinal da cruz com as mãos postas, frente ao peito.

Por fim, padre Paulo ressalta que fazer o sinal da cruz com devoção não é um ato supersticioso, mas uma verdadeira entrega da própria vida à cruz salvadora de Cristo. "O sinal da cruz é um sacramental, seja na forma reduzida como na mais ampla, que deve ser usado abundantemente", afirmou.

Por André Alves
Canção Nova, com Site Oficial de Padre Paulo Ricardo

domingo, 19 de maio de 2013

Pentecostes:Plenitude do Espírito Santo, missão da Igreja e carisma

Celebramos, neste domingo, 19, a Solenidade de Pentecostes, que acontece este ano após a realização de grandes acontecimentos: as emoções de celebrar a Festa de Nossa Senhora de Fátima no “altar do mundo”, em Portugal, onde consagramos os jovens e a Jornada Mundial da Juventude à intercessão de Senhora do Rosário e participamos da consagração do Pontificado do Papa Francisco, feita pelo patriarca de Lisboa.

Também o Dia Mundial das Comunicações, celebrado em 12 de maio, na Ascensão do Senhor, que teve como tema as redes sociais, nos serve de pano de fundo para a festa que celebraremos neste final de semana. Pentecostes é o grande anúncio que a Igreja faz ao mundo da salvação em Cristo Jesus, através de pessoas transformadas no seu interior e de comunidades unidas por essa mesma ação.

O grande segredo da Igreja é a ação do Espírito Santo, que a conduz no caminho de conversão e a leva adiante em sua missão. Ele nos faz saborear as coisas do alto e compreender as palavras de Jesus. Ele conduz a Igreja pelos caminhos da missão evangelizadora através da história.

Tanto nas manifestações populares como nos aprofundamentos teológicos é Ele que atua no coração, na mente e na vida das pessoas. É um dom do Pai prometido por Jesus. Só espera o nosso coração aberto para acolhê-lo e deixar-nos conduzir pelas suas inspirações. Não tenhamos medo: abramo-nos à ação do Espírito Santo. Ele nos conduzirá numa nova evangelização.

Plenitude do Espírito Santo

No Dia de Pentecostes (no fim das sete semanas pascais), a Páscoa de Cristo se realiza na efusão do Espírito Santo, que é manifestado, dado e comunicado como Pessoa Divina: de sua plenitude, Cristo, Senhor, derrama em profusão o Espírito. Ora, esta plenitude do Espírito não devia ser apenas a do Messias; devia ser comunicada a todo o povo messiânico. Por várias vezes Cristo prometeu esta efusão do Espírito, promessa que realizou primeiramente no dia da Páscoa, e em seguida, de maneira mais marcante, no Dia de Pentecostes.

Repletos do Espírito Santo, os apóstolos começam a proclamar “as maravilhas de Deus” (At 2,11), e Pedro começa a declarar que esta efusão do Espírito é o sinal dos tempos messiânicos. Os que então creram na pregação apostólica e que se fizeram batizar também receberam o dom do Espírito Santo.

Jesus ordenara aos 11 que esperassem em Jerusalém a vinda do Consolador. Dissera-lhes: “Dentro de pouco tempo sereis batizados no Espírito Santo” (At 1, 5). Seguindo as orientações de Jesus, do Monte das Oliveiras, onde tinham se encontrado pela última vez com o Mestre, eles retornaram ao Cenáculo e ali, juntamente com Maria, permaneceram assíduos na oração.

Início da missão da Igreja

Na Solenidade do Pentecostes aconteceu o fato extraordinário, descrito pelos Atos dos Apóstolos, que assinala o início da missão da Igreja: “Subitamente ressoou, vindo do céu, um som comparável ao de forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram, então, aparecer umas línguas à maneira de fogo, que se iam dividindo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes inspirava que se exprimissem” (At 2, 2-4).

Estes fenômenos extraordinários chamaram a atenção dos israelitas e dos prosélitos, presentes em Jerusalém para a Festa do Pentecostes. Assombraram-se ao ouvir aquele forte som e, mais ainda, ao escutarem os apóstolos que se exprimiam em várias línguas. Tendo vindo de várias partes do mundo, ouviam esses galileus falar cada um na própria língua: “Ouvimo-los anunciar nas nossas línguas as maravilhas de Deus” (At 2, 11).

Terminada a obra que o Pai havia confiado ao Filho para realizar na Terra, foi enviado o Espírito Santo no Dia de Pentecostes para santificar a Igreja permanentemente. Foi então que a Igreja se manifestou publicamente diante da multidão e começou a difusão do Evangelho com a pregação. Por ser convocação de todos os homens para a salvação, a Igreja é, por sua própria natureza, missionária enviada por Cristo a todos os povos para fazer deles discípulos.

Neste dia santo de Pentecostes, pela efusão do Espírito Santo, a Igreja é manifestada ao mundo. O dom do Espírito inaugura um tempo novo: o tempo da Igreja, durante o qual Cristo manifesta, toma presente e comunica sua obra de salvação pela liturgia de sua Igreja, “até que Ele venha” (1 Cor 11,26). Durante este tempo da Igreja, Cristo vive e age em sua Igreja e com ela de forma nova, própria deste tempo novo.

Em Pentecostes é revelada plenamente a Santíssima Trindade. A partir desse dia, o reino anunciado por Cristo está aberto aos que creem n’Ele: o reino já recebido em herança, mas ainda não consumado. Contemplamos e vimos a verdadeira Luz, recebemos o Espírito celeste, encontramos a verdadeira fé: adoramos a Trindade indivisível, pois foi ela quem nos salvou.

Os carismas

Os dons do Espírito, concedidos a todos por ocasião do batismo e intensificados na crisma, nos capacitam para servirmos à Igreja de Cristo, através dos irmãos. Os carismas são, portanto, dons de poder para o serviço da comunidade cristã.

Eis algumas condições para recebermos e perseverarmos na vida carismática: simplicidade e pureza de coração; assiduidade da meditação da Palavra de Deus; vida de oração; desejo de servir aos irmãos como Jesus (Lc 22, 27); perseverança à recepção dos dons espirituais (sempre abertos para sermos canais à ação e poder do Espírito em nós).

Nossa colaboração é essencial. Deus não nos quer robôs agindo de forma mecânica. Ele respeita a nossa liberdade e consentimento. Se cremos, dizemos “sim” ao que o Senhor quer realizar em nós. Maria Santíssima é o modelo da total abertura: “Faça-se em mim, segundo a Tua palavra” (Lc 1, 38).

O Espírito de Deus sopra onde quer (Jo 3, 8), penetra por toda a parte, com soberana e universal liberdade. É por isso que rezamos, com grande fé, pedindo as luzes necessárias para a realização da JMJ Rio2013: “Vinde Espírito Santo; enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor”. Assim seja para toda a Igreja e para toda a humanidade. Espírito Santo, vem!

Dom Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo do Rio de Janeiro

domingo, 12 de maio de 2013

Ser mãe, vocação do amor


Ser mãe, vocação do amor

Tarefa exigente, árdua, mas recompensadora
A palavra 'mãe' traz significados intensos ao nosso imaginário: as lembranças boas, as dificuldades, as brigas em família, o apoio, o abraço ou o desejo pelo carinho que nunca aconteceu. Todos esses pensamentos nos levam a perceber a vocação de uma mãe: amor incondicional e presente.

A vocação de ser mãe é muito mais do que gerar biologicamente uma pessoa, é cuidar amorosamente de alguém que tomou para si como filho. Mais do que o fruto do seu ventre, ser mãe é tomar para si a responsabilidade pela vida, pela educação, pela criação de alguém.

A mãe dos nossos tempos enfrenta todas as adversidades e desafios que a sociedade lhe impõe, mas seu amor é fiel e ela é zelosa na missão que escolheu e com a qual foi presenteada. É por isso que, hoje, a lembrança vai para a mulher que é mãe nas mais diversas situações: aquela que gerou o filho em seu ventre e aquela que é mãe do coração – a qual optou pela adoção como gesto doação e entrega -; a mãe espiritual, que dobra seus joelhos e intercede por seus filhos; aquela que, mesmo não tendo filhos, cuida das pessoas como se fossem, de fato, seus filhos.


Os desafios de uma sociedade que passa por mudanças é uma das maiores preocupações trazidas pelas mulheres ao buscarem a maternidade. Inseguranças, desejos, expectativas sobre os filhos, futuro. Uma imensidão de pensamentos invade o imaginário das futuras mamães ou daquelas que fazem planos para a maternidade. Mas vamos pensar juntos: será que existe um “modelo ideal de mãe”?.

Lembro-me sempre de Gianna Beretta Molla, santa, médica, mãe de família, esposa, fiel a Deus, orante e tendo Virgem Maria como exemplo para sua vida. Uma mulher que, como tantas outras dos nossos dias, teve uma rotina que exigiu dela um desdobramento em muitos papéis. Um mulher, uma santa contemporânea; mulher do nosso tempo, que, mesmo tendo filhos e uma profissão, teve o desprendimento, a dedicação e uma opção: ter Deus como o centro da sua família.
Gianna não deixou de lado seus valores e, no momento mais difícil de sua vida, optou, dentre sua vida e a do seu filho, que ele nascesse, mesmo que o risco fosse a morte da mãe. Nem mesmo a possibilidade de deixar seus outros filhos a fez abandonar seu projeto de vida.

Ser mãe é uma tarefa exigente, árdua, recompensadora, mas gera medo, ansiedade, expectativa por cumprir este papel de forma favorável. É muito importante ter em mente que ser mãe é algo que se aprende, e não existe a mãe ideal. Há a mãe que erra, mas tem, em seu desejo mais íntimo, a vontade de acertar. Ser mãe é aprender, a cada dia, a renovar, reciclar, crescer, retomar, cair e levantar, apoiar, ser o ombro, o colo e o calor.

Santa Gianna escreveu, numa oportunidade, uma linda descrição do papel da mãe: “Toda vocação é vocação à maternidade: material, espiritual, moral, porque Deus nos deu o instinto da vida. O sacerdote é pai; e as irmãs são mães de almas.

Os limites de uma mãe são testados a todo momento, passando por situações que jamais imaginaria. Por isto, é tão importante não se fechar em suas dificuldades, mas buscar apoio, conversar, ler e conviver com este contínuo aprendizado. Os limites de uma mãe sempre serão testados, colocados à prova, mas o dom, o amor e a missão farão sempre com que esta supere tudo aquilo que lhe seja dado como prova, bem como a fará experimentar todas as alegrias que esta missão lhe concede!

Que as palavras de Santa Gianna Beretta Molla possam também estar presentes em sua vida, mãe, sempre que as dificuldades de sua missão baterem à sua porta: "Senhor, faz que a luz que se acendeu em minha alma não se apague jamais" .

Parabéns, mãe, por sua vocação!
Foto Elaine Ribeiro
psicologia01@cancaonova.com
Elaine Ribeiro, Psicóloga Clínica e Organizacional, colaboradora da Comunidade Canção Nova.
Blog: temasempsicologia.wordpress.com
Twitter: @elaineribeirosp
 

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Qualidade de vida (cristã) - Reflexão do Cardeal Odilo Scherer

"Qualidade de vida" é um conceito usado com frequência na linguagem corrente; nem sempre a sua compreensão é unívoca e coerente, mas, geralmente, faz referência à satisfação das necessidades básicas da vida e dos direitos fundamentais das pessoas.

Levar a vida "com qualidade" inclui, entre outras coisas, ter habitação, alimentação, saúde, educação, conforto e ganhos econômicos suficientes para uma vida confortável; ter esses quesitos, ou parte deles, em condições sofríveis, significa ter “baixa qualidade de vida”. Boa parte da população da nossa cidade e do Brasil ainda tem baixa qualidade de vida e enfrenta enormes dificuldades para ver a vida melhorar. Essa é uma aspiração justa.

Usemos, por analogia, o mesmo conceito para a dimensão religiosa, em que as coisas são parecidas. Boa qualidade de vida cristã e católica significa, certamente, uma fé firme, bem fundamentada e esclarecida, com boas oportunidades para nutrir essa fé e para expressá-la no testemunho do dia a dia. A boa qualidade de vida cristã inclui a participação na Missa dominical e a recepção regular dos sacramentos, a leitura da Palavra de Deus, a oração diária, a prática das virtudes humanas e cristãs, o empenho social na prática do bem e o esforço na transmissão da fé, contribuindo nisso com a Igreja inteira.

Outras questões ainda poderiam ser mencionadas como elementos de uma vida religiosa e cristã “com qualidade”. São os santos que levaram e levam a vida cristã mais elevada. Por isso, seu exemplo e testemunho nos estimulam a crescer na qualidade de vida cristã. A Igreja nos convida a olhar para eles e a imitar seus exemplos. Com eles, aprendemos a conhecer melhor a Deus e a trilhar seus caminhos.

A baixa qualidade de vida cristã é marcada pela carência dos elementos acima indicados; mais que carência, muitas vezes, também se trata do seu contrário: falta de fé, ignorância religiosa, pecado, vícios, distanciamento da Igreja, desleixo em cultivar e em expressar a fé. Muitas vezes, isso acontece porque as pessoas não têm acesso aos meios e às condições para cultivarem melhor a sua vida cristã e isso interpela a missão da Igreja e daqueles que a representam e são dela pastores e servidores. Outras vezes, porque as pessoas são pouco estimuladas e ajudadas a melhorar sua qualidade de vida religiosa. E quem tem pouca qualidade de vida na fé acaba não produzindo os frutos de vida cristã, dá testemunho pouco edificante ou até abandona a fé.

No Evangelho, Jesus usa várias comparações e parábolas para qualificar aquilo que, hoje, podemos qualificar como baixa qualidade de vida religiosa e cristã: é como um campo onde a erva ruim sufoca o trigo bom; é como a figueira estéril, sem frutos; é como o empregado preguiçoso, que não pôs a render o patrimônio que lhe foi confiado; é ser como o sal que perdeu a sua força, ou como sepulcros brancos e belos por fora, mas por dentro... Tantos outros ainda são os ensinamentos do Mestre em relação a uma fé mal vivida ou até negada.

O Ano da Fé leva a nos perguntarmos sobre a qualidade de vida na nossa Igreja. Deus conhece os corações e as intenções de cada um, e não cabe a nós fazer julgamentos sobre as pessoas, como só a Deus compete. Mas, se olhamos as coisas de maneira objetiva, precisamos confrontar-nos com uma difusa superficialidade religiosa e com uma qualidade de vida cristã preocupante; a começar do que é oferecido ao povo, como alimento e estímulo para o cultivo da fé e da vida cristã. Em nossas paróquias, organizações eclesiais e pastorais, os fiéis têm o direito ao alimento sólido e abundante para sua fé e às orientações necessárias para viver com frutos essa mesma fé.

Neste Ano da Fé, temos um “ano da graça do Senhor” a nos estimular para uma experiência renovada na fé e a um crescimento na vida cristã. E a Jornada Mundial da Juventude do Rio de Janeiro, em julho próximo, é uma ocasião única para que os jovens façam essa mesma experiência da fé e da vida eclesial. Temos muito para fazer para que a “vinha do Senhor” produza os frutos esperados... Deus nos quer fortes na fé, operosos na caridade e alegres na esperança. E isso se expressa por uma alta qualidade de vida cristã.

*Cardeal Odilo Pedro Scherer / Arcebispo de São Paulo

terça-feira, 26 de março de 2013

Como viver a Semana Santa?

A Semana Santa deve ser um tempo de reflexão e reconstrução

Num clima de alegria e esperança, provocado pela ascensão ao pontificado petrino do Papa Francisco, iniciaremos - no Domingo de Ramos - mais uma Semana Santa com a entrada triunfal de Jesus na cidade de Jerusalém.

Aí começa uma nova fase na história do povo de Israel, quando todos se voltam para a cena da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.

A Semana Santa deve ser um tempo de recolhimento, de interiorização e de abertura do coração e da mente para o Deus da vida. Significa fazer uma parada para reflexão e reconstrução da espiritualidade, essencial para o equilíbrio emocional e segurança no caminho natural da história de vida com mais objetividade e firmeza.

As dificuldades encontradas não são fracasso nem caminho sem saída. Elas nos levam a firmar a esperança na luta por uma vida sem obstáculos intransponíveis. Foi o que aconteceu com Cristo, no trajeto da Paixão, culminando com Sua morte na cruz. Em todo esse caminho, Ele passou por diversos atos de humilhação.

A estrada da cruz foi uma perfeita reveladora da identidade de Jesus. Ele teve de enfrentar os atos de infidelidade e rebeldia do povo que estava sendo infiel ao projeto de Deus, inclusive sendo crucificado entre malfeitores. Jesus partilha da mesma sorte e dos mesmos sofrimentos dos assassinos e ladrões de sua época.

Na Semana Santa devemos associar ao sofrimento de Cristo o mesmo que acontece com tantas famílias e pessoas violentadas em nosso tempo. Podemos dizer da violência armada, dos trágicos acidentes de trânsito, das doenças que causam morte, do surto da dengue, dos vícios que ceifam muita gente, etc.

Jesus foi açoitado, esbofeteado, teve a barba arrancada, foi insultado e cuspido. O detalhe principal é que nenhum sofrimento O fez desistir de Sua missão nem ter atitude de vingança. Ele deixou claro que o perdão é mais forte do que a vingança.

Devemos aprender com Ele e olhar a vida de forma positiva, sabendo que seu destino é projetado para a eternidade em Deus.

Por Dom Paulo M. Peixoto - Arcebispo de Uberaba (MG) 

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Quais são os seus maiores medos? - Não nos deixemos vencer pelo desânimo e sentimento de derrota

Quais são os seus maiores medos?
Não nos deixemos vencer pelo desânimo e sentimento de derrota

Quem não tem medo nesta vida? Convivemos com muitos medos todos os dias, mas eu os tenho vencido pelo poder da Palavra e da oração. Quais são os seus maiores receios, aqueles que o impedem de caminhar, o paralisam? É hora de darmos um grande passo e vencer nossos medos.

"Quanto a ti, permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade. E sabes de quem o aprendeste! Desde criança conheces as Escrituras Sagradas. Elas têm o poder de te comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé no Cristo Jesus. Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para argumentar, para corrigir, para educar conforme a justiça. Assim, a pessoa que é de Deus estará capacitada e bem preparada para toda boa obra" (cf. 2Tm 3, 14-17).

"Em todas as circunstâncias, empunhai o escudo da fé, com o qual podereis apagar todas as flechas incendiadas do maligno. Enfim, ponde o capacete da salvação e empunhai a espada do Espírito, que é a palavra de Deus!" (Ef 6, 16-17).

Essa carta de amor escrita por Deus é uma maneira muito concretas de comungar Jesus, pela Santíssima Eucaristia e pela Palavra de Deus. Hoje, o Senhor quer disser para você: “Nada de medo, homem predileto! Calma! Coragem! Coragem!”. Basta Ele falar para que nos sintamos mais fortes e digamos: “Fale este meu Senhor, que me devolveu as forças!” (Daniel 10, 19).

Este é o poder da Palavra de Deus em nossa vida, quantos de nós passamos por situações agora de aflição, que nos enchem de medo e de insegurança. E essa Palavra vem trazer conforto e fortaleza. O Senhor está dizendo para você: 'Nada de medo, meu filho, minha filha predileta! Calma! Coragem! Coragem!'

Senhor, escuta o meu clamor e atende as minhas preces. Estende a Tua mão e me arranca desta situação, põe Tua Palavra em meu coração e devolve as minhas forças para viver. “É em Deus que eu ponho minha esperança; nada temo. Que mal me pode fazer um ser de carne?” (Salmo 55,12).

Não nos deixemos vencer pelo desânimo e sentimento de derrota: “O Senhor é minha luz e minha salvação. De quem eu terei medo? O Senhor é quem defende a minha vida; a quem eu temerei?” (Salmo 27, 1.)

Diante dos nossos inimigos e das coisas que nos ameaçam está o nosso Deus, que é fiel e cumpre Suas promessas. Nestes dias, estou batalhando com problemas de saúde na família e, quando chequei em casa, meus irmãos estavam organizando um Cerco de Jericó com este tema. Que conforto para minha alma saber que não estou sozinho e que a Palavra de Deus me alimenta e sustenta! “Eis o Deus que me salva, eu confio e nada temo, porque minha força e meu canto é o Senhor, e ele foi para mim libertação.” (Isaías 12).

Assim como eu, você também pode estar passando por situações diversas no casamento, com seus filhos, no trabalho, um problema sério de saúde física ou esíritual. Não temas! “Lâmpada para meus pés é tua Palavra e luz para os meus caminhos. Meu sofrimento passa dos limites, senhor, dá-me vida segundo tua palavra.” (Salmo 118, 105). Deixe-se guiar pela direção de Deus em Sua Palavra e interceda junto conosco. Você não está sozinho!

Jesus também animava e encorajava com Sua presença terna e Suas palavras fortes e confortantes. Ele dizia aos discípulos e à multidão: “Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu peso é leve” (Mateus 11,28-30).

Jesus disse aos Seus discípulos: “No mundo terei aflições, mas coragem eu venci o mundo!” (João 16,33). Vou partilhar com você esta palavra que é o lema da minha vida como padre: “Tudo posso naquele que me dá forças” (Filipenses 4,13).

Vamos nos deixar conduzir e encorajar pela Palavra, pois, assim, venceremos um obstáculo a cada dia, pois muitos eu já tenho vencido com esta Palavra que é um grito de fé e de vitória.


Por Padre Luizinho, sacerdote da Comunidade CN

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A graça só é dada no momento certo

Deus nos ajuda em nossos medos, e poucas coisas nos assustam tanto como ficar sozinhos. Quem nunca se sentiu assim no escuro? Mas com a luz os medos se dissipam. No nosso coração, quando nos sentimos na escuridão, perdidos, sem saber o que fazer, Deus nos ajuda com os nossos medos.

O Senhor não faz as coisas pela metade, quando ele nos ilumina, o faz para o nosso bem. Ele vence o mal com o bem e, com Seu amor, extingue o ódio no coração daqueles que nos odeiam.

A própria Palavra diz que aquele q está em pé precisa tomar cuidado para não cair, pois não só de enganos estamos passíveis, mas de pecado também.

Você deve ter rezado varias vezes e recorrido a este Salmo, pedindo ao Senhor para arrancar esse mal para longe de você. O Senhor é quem defende a sua vida.

A Palavra de Deus não nos diz que os malvados não vão nos atacar, mas sim que não devemos temê-los.

É o Senhor quem defende a nossa vida, a nossa causa está nas mãos d'Ele, por isso não devemos temer. Diante do medo, algumas pessoas são arrastadas por ele, outras o enfrentam, pois sabem que Deus está com elas.

Todo mundo faz na vida a experiência do fracasso. Nós não nascemos prontos, mas, muitas vezes, é pelo fracasso que aprendemos as coisas, pois o Senhor está ao nosso lado.

Ele não nos prometeu que jamais aconteceria alguma coisa ruim conosco nem que não passaríamos por momentos de escuridão, por períodos de dúvidas, pois isso tudo faz parte da vida.

Já imaginou a dor que a dúvida traz? Ela faz parte de nossa, e, nessa hora, Deus continua ao nosso lado. A razão para não temermos o mal é que Ele nos deu meios para enfrentá-lo. Quando a dificuldade chegar a você, o Senhor vai lhe dar forças para superá-la.

Já percebeu que, às vezes, nos sentimos mal, antecipadamente, diante do que vai nos acontecer, mas quando acontece tiramos uma força que não sabemos de onde vem.

A graça só é dada no momento certo e vem como um conforto.

Quando um combate é travado contra nós e quando alguém se põe em marcha para destruir nossa, é Deus quem nos conforta. Se estávamos desanimados, com Ele podemos levantar a cabeça, porque Ele nos dá forças.

Vivemos num mundo cheio de problemas, mas onde está escrito que temos de passar por tudo sozinhos? O Senhor colocou as pessoas ao nosso lado para serem um apoio para nós, assim como estamos ao lado de alguém para ser apoio para ele.

O importante não é o medo, mas o que fazemos em relação a ele. O que você faz quando está com medo? Você se esconde ou estende a mão, pedindo ajuda, olha à sua volta e vê que existem pessoas que amam e vão ajudá-lo se você realmente quiser mudar de vida.

O medo é algo natural, mas quando o enfrentamos, encaramos nossos temores, pânicos. Podemos aprender muito, pois lutamos pelo que é certo.

Devido ao assombro que muitos passavam, acabam escolhendo o pior: retirar a própria vida. Todas as vezes que tomamos as decisões na hora do medo, fazemos as coisas erradas.

Ainda que seja enorme o perigo, eu sei que Deus está ao meu lado, sei que sou capaz de enfrentá-lo. O medo é um aviso que o Senhor implantou no nosso coração para aprendermos que não podemos domá-lo sozinho. Nos momentos de crise, temos de buscar ajuda.

Recorra a Deus, busque o Senhor, peça a Ele que lhe dê sabedoria, peça a Ele que lhe mostre alguém que possa ajudá-lo.

Bendito seja, Senhor, por esta palavra! “Pela confiança no Senhor, eu digo que eu posso levantar a cabeça, pois Ele está comigo!”


Márcio Mendes

Membro da Comunidade Canção Nova

Transcrição e adaptação: Ana Alice Lourenço

Foto: Wesley Almeida/Arquivo Fotos CN

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Por que batizar as crianças?

A razão teológica pela qual a Igreja batiza crianças é que o Batismo não é como uma matrícula em um clube, mas é um renascer para a vida nova de filhos de Deus, que acontece mesmo que a criança não tome conhecimento do fato. Este renascer da criança a faz herdeira de Deus. A partir do Batismo a graça trabalha em seu coração (cf. 1Jo 3,9), como um princípio sobrenatural. Elas não podem professar a fé, mas são batizadas na fé da Igreja a pedido dos pais.

Santo Agostinho explicava bem isto: “As crianças são apresentadas para receber a graça espiritual, não tanto por aqueles que as levam nos braços (embora, também por eles, se são bons fiéis), mas sobretudo pela sociedade espiritual dos santos e dos fiéis… É a Mãe Igreja toda, que está presente nos seus santos, a agir, pois é ela inteira que os gera a todos e a cada um” (Epíst. 98,5).

Nenhum pai espera o filho chegar à idade adulta para lhe perguntar se ele quer ser educado, ir para a escola, tomar as vacinas, etc. Da mesma forma deve proceder com os valores espirituais. Se amanhã, esta criança vier a rejeitar o seu Batismo, na idade adulta, o mal lhe será menor, da mesma forma que se na idade adulta renegasse os estudos ou as vacinas que os pais lhe propiciaram na infância.

A Bíblia dá indícios de que a Igreja sempre batizou crianças. Na casa do centurião Cornélio (“com toda a sua casa”; At 10,1s.24.44.47s); a negociante Lídia de Filipos (At 16,14s); o carcereiro de Filipos (16,31-33), Crispo de Corinto (At 18,8); a família de Estéfanas (1Cor 1,16). Orígenes de Alexandria († 250) e S. Agostinho († 430), atestam que “o costume de batizar crianças é tradição recebida dos Apóstolos”. Santo Irineu de Lião († 202) considera óbvia a presença de “crianças e pequeninos” entre os batizados (Contra as heresias II 24,4). Um Sínodo da África, sob São Cipriano de Cartago († 258) aprovou que se batizasse crianças “já a partir do segundo ou terceiro dia após o nascimento” (Epíst. 64).

O Concilio regional de Cartago, em 418, afirmou: “Também os mais pequeninos que não tenham ainda podido cometer pessoalmente um pecado, são verdadeiramente batizados para a remissão dos pecados, a fim de que, mediante a regeneração, seja purificado aquilo que eles têm de nascença” (Cânon 2, DS 223).

No Credo do Povo de Deus, o Papa Paulo VI afirmou: “O Batismo deve ser ministrado também às criancinhas que não tenham podido ainda tornar-se culpadas de qualquer pecado pessoal, a fim de que elas, tendo nascido privadas da graça sobrenatural,renasçam pela água e pelo Espírito Santo para a vida divina em Cristo Jesus” (nº 18).

Por Prof. Felipe Aquino

domingo, 9 de dezembro de 2012

Padre comenta evangelização no ambiente virtual

Desde sua origem, a Igreja esteve presente nas realidades próprias de cada tempo, cumprindo o mandato de Jesus de ser sal da terra e luz do mundo. A Igreja esteve presente no surgimento da imprensa, depois no cinema, no rádio e na TV. Nos dias atuais, o desafio da Igreja é ser presença nas novas tecnologias que estão inovando o processo de comunicação.

TVs, rádios, sites, redes sociais e novas ferramentas tecnológicas estão à disposição da Igreja para a propagação da fé, da espiritualidade e dos valores cristãos. E é expressivo o número de organismos católicos já presentes nos meios de comunicação social, especialmente nas novas tecnologias.

De acordo com o assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da CNBB, padre Clovis Andrade, da Comunidade Canção Nova, é necessário compreender as realidades do tempo presente, suas linguagens próprias e a diversidade de formas e símbolos. Entendendo estes ambientes, a Igreja é convidada a anunciar o Reino de Deus aos homens e mulheres de hoje, inseridos em uma nova cultura, em novos sujeitos e em novas relações.

Os frutos da presença da Igreja nos meios virtuais

Padre Clóvis afirma que é possível verificar resultados positivos nas diversas iniciativas da Igreja Católica nos meios virtuais. Segundo ele, estas iniciativas explicitam a forma de evangelizar na web de cada organismo religioso, que do seu jeito, constroem uma verdadeira riqueza para a Igreja e a sociedade como um todo.

Uma das iniciativas oficiais da Igreja Católica é a Rede de Informática da Igreja no Brasil (RIIBRA), organismo ligado ao Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais. Seu objetivo é viabilizar a ação evangelizadora da comunidade eclesial no Brasil, articulá-la em rede, torná-la mais dinâmica e ampliar o espaço de escuta, comunhão e colaboração entre os católicos. Atualmente, padre Clóvis Andrade é o responsável pelos trabalhos da RIIBRA.

Além desta, outras atividades como portais, sites, blogs, iniciativas de formação humana, de evangelização direta e indireta, catequese para os jovens, games educativos para crianças, uma grande diversidade de ações concretas são realizadas nos mais variados segmentos. 

Segundo o padre, o grande desafio atual é fortalecer as iniciativas já existentes, gerando comunhão para que possam crescer cada vez mais e aprofundar a formação para o real sentido da presença da Igreja na Rede.

Evangelização dos jovens nas redes

Dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) mostram que 83% dos jovens brasileiros, com idade entre 15 e 16 anos, possuem perfil em alguma rede social.

Ao contrário do que se imagina, a eficácia da evangelização dos jovens nos ambientes virtuais não está primeiramente ligada às técnicas, ao potencial de marketing ou à criatividade das postagens. De acordo com padre Clóvis, o testemunho de vida fora e dentro das redes é o melhor caminho para quem quer evangelizar a juventude por meio das novas tecnologias.

“A autenticidade, a coerencia e a vivência do Evangelho são fundamentais. Arrisco dizer que sem isso, qualquer esforço seria estéril; poderia até ser bem sucedido no início, mas não resistiria à prova do tempo,” afirma o sacerdote.

Para o padre, a linguagem da Igreja precisa se adequadar à dos jovens. “Não se pode colocar vinho novo em odres velhos”, lembra o sacerdote, citando a frase de Jesus no Evangelho de Lucas (Lc 5,38). Segundo ele, é preciso questionar: será que a Igreja não está levando a graça de Deus que é sempre nova, em “recipientes velhos”, com linguagens e métodos que os jovens não entendem?

“Não tenhamos receio de buscar entender as novas linguagens deste tempo tão desafiador para todos. Com a criatividade do Espírito Santo é preciso interagir com essa multidão sedenta de Água Viva, desejosa da verdade não simulada e que busca, talvez sem ter muita consciência disso, um encontro real e presencial, num tempo em que parece prevalecer a virtualidade.”

Desafios e riscos da evangelização virtual

Desafios e riscos também marcam esta nova forma de evangelizar. Segundo o padre Pedro Gilberto Gomes, Jesuíta, Doutor em Ciência da Comunicação e Pesquisador também na área da comunicação, deve-se ter cuidado para não formar uma “espiritualidade apenas virtualizada” e distante do concreto.

Padre Pedro recomenda um cuidado especial para não se perder o inter-relacionamento pessoal e a vida de comunidade. Para ele é necessário que se viva uma vida eclesial, que se esteja num espaço onde a formação humana e espiritual possa acontecer também frente-a-frente, num ambiente onde se possa exercitar, concretamente, os princípios cristãos.

Padre Clóvis Andrade acredita que a presença da Igreja nos meios de comunicação não trata-se de um fascínio pelas tecnologias ou um modismo desse ou daquele equipamento de última geração. Isto seria um risco para os cristãos. Segundo ele, trata-se na verdade de entender que a Igreja é chamada a fazer-se presente onde o homem se encontra e ali ajudá-lo a encontrar-se com Cristo e ter uma vida repleta de sentido.

Na opinião de padre Clóvis, estar nas novas mídias é uma maneira de formar o homem e a mulher, de modo especial os jovens, para uma visão crítica que lhes ajude a repensar alguns conceitos e até mesmo dosar o tempo que passa no ambiente virtual e o tempo que investe nos relacionamentos presenciais tão importantes e insubstituíveis.

Por André Luiz
Fonte: Canção Nova