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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Qualidade de vida (cristã) - Reflexão do Cardeal Odilo Scherer

"Qualidade de vida" é um conceito usado com frequência na linguagem corrente; nem sempre a sua compreensão é unívoca e coerente, mas, geralmente, faz referência à satisfação das necessidades básicas da vida e dos direitos fundamentais das pessoas.

Levar a vida "com qualidade" inclui, entre outras coisas, ter habitação, alimentação, saúde, educação, conforto e ganhos econômicos suficientes para uma vida confortável; ter esses quesitos, ou parte deles, em condições sofríveis, significa ter “baixa qualidade de vida”. Boa parte da população da nossa cidade e do Brasil ainda tem baixa qualidade de vida e enfrenta enormes dificuldades para ver a vida melhorar. Essa é uma aspiração justa.

Usemos, por analogia, o mesmo conceito para a dimensão religiosa, em que as coisas são parecidas. Boa qualidade de vida cristã e católica significa, certamente, uma fé firme, bem fundamentada e esclarecida, com boas oportunidades para nutrir essa fé e para expressá-la no testemunho do dia a dia. A boa qualidade de vida cristã inclui a participação na Missa dominical e a recepção regular dos sacramentos, a leitura da Palavra de Deus, a oração diária, a prática das virtudes humanas e cristãs, o empenho social na prática do bem e o esforço na transmissão da fé, contribuindo nisso com a Igreja inteira.

Outras questões ainda poderiam ser mencionadas como elementos de uma vida religiosa e cristã “com qualidade”. São os santos que levaram e levam a vida cristã mais elevada. Por isso, seu exemplo e testemunho nos estimulam a crescer na qualidade de vida cristã. A Igreja nos convida a olhar para eles e a imitar seus exemplos. Com eles, aprendemos a conhecer melhor a Deus e a trilhar seus caminhos.

A baixa qualidade de vida cristã é marcada pela carência dos elementos acima indicados; mais que carência, muitas vezes, também se trata do seu contrário: falta de fé, ignorância religiosa, pecado, vícios, distanciamento da Igreja, desleixo em cultivar e em expressar a fé. Muitas vezes, isso acontece porque as pessoas não têm acesso aos meios e às condições para cultivarem melhor a sua vida cristã e isso interpela a missão da Igreja e daqueles que a representam e são dela pastores e servidores. Outras vezes, porque as pessoas são pouco estimuladas e ajudadas a melhorar sua qualidade de vida religiosa. E quem tem pouca qualidade de vida na fé acaba não produzindo os frutos de vida cristã, dá testemunho pouco edificante ou até abandona a fé.

No Evangelho, Jesus usa várias comparações e parábolas para qualificar aquilo que, hoje, podemos qualificar como baixa qualidade de vida religiosa e cristã: é como um campo onde a erva ruim sufoca o trigo bom; é como a figueira estéril, sem frutos; é como o empregado preguiçoso, que não pôs a render o patrimônio que lhe foi confiado; é ser como o sal que perdeu a sua força, ou como sepulcros brancos e belos por fora, mas por dentro... Tantos outros ainda são os ensinamentos do Mestre em relação a uma fé mal vivida ou até negada.

O Ano da Fé leva a nos perguntarmos sobre a qualidade de vida na nossa Igreja. Deus conhece os corações e as intenções de cada um, e não cabe a nós fazer julgamentos sobre as pessoas, como só a Deus compete. Mas, se olhamos as coisas de maneira objetiva, precisamos confrontar-nos com uma difusa superficialidade religiosa e com uma qualidade de vida cristã preocupante; a começar do que é oferecido ao povo, como alimento e estímulo para o cultivo da fé e da vida cristã. Em nossas paróquias, organizações eclesiais e pastorais, os fiéis têm o direito ao alimento sólido e abundante para sua fé e às orientações necessárias para viver com frutos essa mesma fé.

Neste Ano da Fé, temos um “ano da graça do Senhor” a nos estimular para uma experiência renovada na fé e a um crescimento na vida cristã. E a Jornada Mundial da Juventude do Rio de Janeiro, em julho próximo, é uma ocasião única para que os jovens façam essa mesma experiência da fé e da vida eclesial. Temos muito para fazer para que a “vinha do Senhor” produza os frutos esperados... Deus nos quer fortes na fé, operosos na caridade e alegres na esperança. E isso se expressa por uma alta qualidade de vida cristã.

*Cardeal Odilo Pedro Scherer / Arcebispo de São Paulo

quinta-feira, 4 de abril de 2013

O Ressuscitado vive entre nós. Aleluia!

A celebração da Páscoa no Ano da Fé nos proporciona a oportunidade de uma reflexão sobre a questão central da nossa fé, que é a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, e sobre seu significado para nós e para o mundo.

Não é só de hoje que a afirmação da ressurreição de Jesus é posta em dúvida por muitas pessoas: ela foi contestada e posta em dúvida desde o início; os próprios apóstolos não quiseram crer nas aparições do Ressuscitado e Jesus teve muito trabalho para convencê-los de que era ele mesmo, e não algum fantasma, que estava diante deles, nem se tratava de uma alucinação. O final do Evangelho de São Marcos mostra de maneira patética como os apóstolos continuaram incrédulos e, por isso, foram repreendidos por Jesus. Mesmo assim, o Mestre os enviou como missionários ao mundo para serem testemunhas dele e de sua ressurreição.

Só isso já é um argumento muito forte em favor da verdade sobre a ressurreição de Jesus. As primeiras testemunhas desse evento inaudito não foram pessoas crédulas ou fanáticas, nem animadas pelo propósito de se colocarem de acordo para passar ao mundo uma farsa bem inventada... Eles foram duros para crer. Mas a verdade da ressurreição se impôs a eles de tal maneira que não a podiam negar. E assim, eles acabaram dando a vida pela afirmação dessa verdade. Diante das autoridades, que os mandavam parar de falar que Jesus estava vivo, eles diziam: “não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos! Nós somos testemunhas do que Deus realizou em favor de Jesus”. E seu testemunho é lúcido e sólido.

O núcleo central da verdade sobre a ressurreição de Jesus é afirmado de maneira lapidar no Credo. Após afirmar a sua morte e sepultura, “sob Pôncio Pilatos”, como um fato historicamente situado, a Igreja proclama: “ressuscitou dos mortos ao terceiro dia, conforme as Escrituras”. Esse testemunho aparece esparso em todo o Novo Testamento; portanto, fazia parte da pregação dos apóstolos e da Igreja desde as suas primeiras origens. Os Atos dos Apóstolos nos trazem testemunhos eloquentes sobre a ressurreição de Jesus, e São Paulo chega a dizer: “se Jesus Cristo não ressuscitou dos mortos, é vã a nossa fé”.

Proclamando a ressurreição de Jesus, nós afirmamos que Jesus Cristo, depois de ter sido matado e sepultado, não ficou entregue à morte, mas superou a morte e foi visto vivo, encontrando-se novamente com os seus apóstolos, mas também outras pessoas; falou com elas e confirmou os ensinamentos e as escolhas que fizera antes de sua morte. A afirmação leva sempre uma certeza: aquele que estivera morto, agora está vivo e se encontrou com os seus discípulos. A ressurreição é atribuída a uma especial intervenção de Deus em favor de Jesus: Deus estava com ele e o fez passar da morte para a vida. Jesus era um inocente e justo, por isso, Deus interveio em seu favor e mostrou que Jesus era fidedigno e não um enganador de multidões; Deus testemunhou, assim, ser verdade tudo o que Jesus ensinou e significou para os homens.

Mas isso ainda não é tudo: a ressurreição de Jesus é bem mais que um fato maravilhoso situado no passado e vai muito além de dizer que Jesus passou a viver novamente. O Ressuscitado não voltou à vida deste mundo, mas entrou na glória de Deus; sua santa humanidade passou a participar da glória da divindade, que antes estava oculta na sua vida terrena. Por isso, já na pregação de Pedro, afirma-se que Jesus assentou-se à direita de Deus e tornou o juiz dos vivos e dos mortos.

A Igreja também afirma, com os apóstolos, que o Ressuscitado continua presente e atuante com seus discípulos e com todos os que ouvem e acolhem sua Palavra; continua a ser o Mestre e Senhor da Igreja, a caminhar com ela, a orientar seus passos, a falar por meio dela e a confirmar a sua pregação. Tudo isso não aconteceu apenas na primeira geração dos discípulos, mas ao longo dos séculos, até o presente.

Jesus Cristo ressuscitado reúne em torno de si a Igreja, anima-a mediante os dons do seu Espírito, alimenta-a na Palavra e na Eucaristia, santifica-a com os sacramentos e a prática da vida cristã. O Ressuscitado está vivo na comunidade reunida em seu nome, na pessoa dos seus ministros, que o representam no serviço aos irmãos; está presente em cada pessoa, por ele assumida como irmão e irmã, especialmente naqueles que mais sofrem e com as quais ele se identifica. O Ressuscitado vive entre nós! Aleluia!
Publicado em O SÃO PAULO, ed. de 26.03.2013

Cardeal Odilo Pedro Scherer

Arcebispo de São Paulo

domingo, 31 de março de 2013

Páscoa: grande Mistério da Fé

Querido povo de Deus da Arquidiocese de São Paulo: feliz e santa Páscoa para todos! Este é o Dia que o Senhor fez para nós: dia de festa e de alegria!

Na Páscoa, nós anunciamos e afirmamos um grande “Mistério da fé”: Nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, que foi condenado à morte, morreu na cruz e foi sepultado, ressuscitou da morte e manifestou-se vivo a seus discípulos e a muitas outras pessoas! Venceu a morte e manifestou plenamente a vida e a glória de Deus, que também já tinha antes da morte, mas não aparecia na sua condição humana.

A ressurreição de Jesus é uma verdade central da nossa fé; tanto assim, que São Paulo chega a dizer: “se Jesus não ressuscitou, então é vã a nossa fé e estamos todos ainda mergulhados nos nossos pecados!” (cf 1Cor 15,17).

Jesus passou, através da morte, à vida gloriosa em Deus: o Senhor Ressuscitado não se encontra mais nas condições da vida terrena, mas na glória de Deus, onde é nosso intercessor e mediador, junto de Deus Pai; pela ressurreição de Jesus, abriu para nós todos o caminho para a superação da morte e a participação na vida eterna.

A Páscoa é, por isso, a festa do triunfo da vida sobre a morte; é a manifestação daquilo que Deus prepara para todos nós também. Jesus Cristo passou da morte à vida gloriosa, como primeiro de uma multidão de redimidos: “se com Cristo morremos, com ele ressuscitaremos” (cf. Rm 6,8). E, desde agora, a nossa vida futura na glória do céu, “já está escondida com Cristo glorioso, em Deus”. (cf. Cl 3,3).

Nesta Páscoa, celebrada no Ano da Fé, renovemos nossa firme adesão a Deus e às suas promessas, já contidas neste grande “Mistério da fé”, que é a ressurreição de Jesus.

Se nossa fé é pouca, peçamos com os Apóstolos: “Senhor, aumentai a nossa fé!” E, com S. Tomé, ajoelhemo-nos diante de Jesus Cristo ressuscitado, exclamando: “Meu Senhor e meu Deus!” E ouçamos de Jesus Cristo estas palavras confortadoras: felizes, aqueles que creram sem terem visto!”

Desejo a todos uma feliz e santa Páscoa!

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo
31.03.2013, Páscoa da Ressurreição de Jesus

terça-feira, 5 de março de 2013

Perguntas e respostas sobre a eleição do novo Papa



Quem escolhe o novo Papa?

O Papa é escolhido pelos cardeais. Atualmente, há 209 deles, mas apenas os que têm menos de 80 anos no início do período de Sé Vacante podem votar e ser eleitos – o que reduz a 117 o número de votantes a partir de 28 de fevereiro, data marcada para a saída de Bento XVI. Entre eles, 67 foram nomeados por Bento XVI e 50 por seu antecessor, João Paulo II. O número máximo de cardeais eleitores é de 120.

De onde são os cardeais que irão eleger o novo Papa?
A maior parte dos cardeais eleitores é da Europa – 61. A Itália é o país que concentra o maior número de cardeais eleitores – são 27, mais de um terço dos europeus. A América Latina tem 19 eleitores (cinco deles brasileiros). Quatorze cardeais eleitores são da América do Norte, 11 da África, 11 da Ásia e apenas um da Oceania. No total, 48 países possuem cardeais eleitores.

Quais são os nomes apontados como favoritos para ser o novo Papa?
Apesar de especulações desde a eleição de Bento XVI apontarem que já é tempo de a Igreja Católica ter um papa africano ou latino-americano, especialistas acreditam que um italiano é o favorito: Dom Angelo Scola, de 72 anos, arcebispo de Milão, apreciado teólogo e homem do diálogo inter-religioso. Outros cotados são o cardeal-arcebispo de Nova York, Timothy Dolan, de 73 anos, considerado um “modernista conservador”; o arcebispo de Kinshasa, no Congo, Laurent Monsengwo Pasinya, de 74 anos, que desempenhou um papel de mediação na resolução do conflito em seu país; e o hondurenho Oscar Andrés Maradiaga, 70 anos, cardeal e arcebispo de Tegucigalpa, considerado ortodoxo sobre as doutrinas.

O que é preciso para ser eleito Papa?
Oficialmente, não há requisitos básicos para que uma pessoa seja eleita Papa – basta que ela seja católica e ter pleno uso da razão. Entretanto, na prática, o eleito há muitos séculos sempre tem sido um cardeal. Caso o cardeal eleito ainda não seja bispo, ele é ordenado logo após a eleição – já que o papa é o Bispo de Roma. O escolhido precisa ter o voto de dois terços dos cardeais votantes para ser eleito.

Como acontece o processo de escolha?

Com o início do Conclave, os cardeais seguem em cortejo da Capela Paulina, onde se reúnem inicialmente, até a Sistina, onde ocorrem as votações. Em seguida, as portas são fechadas, as chaves retiradas, e o isolamento é assegurado pelo cardeal Camerlengo no interior, e pelo prefeito da Casa Pontifícia no exterior. Três cardeais assistentes são escolhidos para auxiliar o Camerlengo – eles são trocados a cada três dias.

Os eleitores ficam isolados em celas particulares e se reúnem na Capela Sistina duas vezes por dia para votar – caso não um nome não obtenha dois terços dos votos na primeira votação.  Além deles, ficam alojados nos arredores da Capela Sistina apenas o Secretário do Colégio Cardinalício o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, com dois Cerimoniários e dois religiosos adscritos à Sacristia Pontifícia; um eclesiástico escolhido pelo Cardeal Decano ou pelo Cardeal que o substitua, para lhe servir de assistente; além de alguns religiosos de diversas línguas para as confissões, dois médicos para eventuais emergências e pessoas responsáveis pela alimentação e limpeza.

Os cardeais não têm o direito de votar em si mesmo e devem, um de cada vez, prestar juramento de respeito ao voto secreto e de aceitar o resultado. No momento da eleição, ficam na capela apenas os eleitores, o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias e o eclesiástico escolhido para fazer aos cardeais eleitores a segunda das duas meditações. Eles juram igualmente que aquele entre eles que for eleito não renunciará jamais a reivindicar a plenitude dos direitos de pontífice romano.

Por que os cardeais ficam isolados?
O isolamento ocorre para garantir o segredo da eleição – nem o número de votos que o escolhido recebeu é divulgado – e para permitir as orações e meditações necessárias para a escolha do voto – além de evitar possíveis pressões e influências externas. Durante todo o tempo que durar o Conclave, os cardeais não podem manter qualquer tipo de contato e correspondência com pessoas externas – somente razões gravíssimas e urgentes, comprovadas pela congregação dos cardeais, permitirão tais contatos. Eles também não podem ter acesso a meios de comunicação. As pessoas envolvidas no processo também devem manter o sigilo e estão sujeitas a punições do futuro Papa caso não o cumpram. A exigência de segredo nas votações está estipulada na Constituição Apostólica.

É permitida a realização de acordos, promessas ou pactos antes da eleição?
Segundo a Constituição Apostólica, os cardeais eleitores são proibidos de realizar qualquer tipo de acordo visando benefícios ou promessas de realizações pela eleição de um ou outro candidato. Promessas eventualmente feitas serão consideradas nulas e os autores podem ser excomungados. Entretanto, a troca de ideias sobre a eleição antes do Conclave não é proibida. Também está vetada a influência externa – os eleitores não podem receber recomendações ou vetos de autoridades civis ou religiosas. O código também recomenda que os cardeais não se deixem guiar por simpatia ou aversão aos candidatos como fator de influência na escolha do papa.

Como são dados os votos?
Os votos são escritos pelos cardeais em fichas distribuídas no início da votação – cada cardeal eleitor recebe duas ou três. São eleitos à sorte entre os votantes três escrutinadores, três responsáveis por recolher os votos dos doentes e três revisores.

O nome do escolhido deve ser escrito nas fichas de maneira secreta e com uma caligrafia diferente da habitual, para evitar a identificação dos votos. Elas devem ser dobradas duas vezes. Cada cardeal leva seu voto de maneira visível até a urna e o deposita, antes realizando um juramento. Os cardeais doentes que estiverem instalados no Vaticano e impossibilitados de participar do Conclave na Capela Sistina terão seus votos recolhidos por cardeais designados no início da votação.

Os eleitores não podem revelar a qualquer outra pessoa notícias sobre a votação e seu próprio voto, nem antes, durante ou depois do processo.

Quanto tempo pode durar o processo de escolha?
Caso o nome mais votado não consiga dois terços dos votos, a eleição pode se estender por vários dias. No primeiro dia, está prevista apenas uma votação. Nos seguintes, devem ser realizadas duas pela manhã e duas durante a tarde. Após três dias sem decisão, deverá ser feita uma pausa de um dia para oração e reflexões entre os cardeais. A pausa é seguida por sete votações. Caso não haja resultado, deve ocorrer um novo dia de pausa. A sequência pode ocorrer por mais três vezes. Se ainda assim não houver um eleito, os cardeais devem decidir como proceder – pela eleição por maioria absoluta ou votação apenas nos dois nomes com mais votos, elegendo-se também o que obtiver maioria absoluta. Será adotado o que a maior parte dos cardeais decidir.

Como é feito o anúncio de que um novo Papa foi escolhido?
Quando a escolha finalmente ocorre, o cardeal mais antigo pergunta ao mais votado se ele aceita o cargo. Ao responder “aceito”, o cardeal passa a ser o novo papa. Em seguida, ele informa por qual nome passará a ser chamado. Caso o eleito já seja bispo, é imediatamente apontado como Bispo de Roma, assumindo o poder sobre a Igreja. Se não for, é ordenado na hora.

As cédulas são queimadas, e a tradição indica que os cardeais devem usar palha seca ou úmida para que a fumaça seja preta (se não foi escolhido o Papa) ou branca (se a votação deu como resultado a eleição do novo pontífice). Quando a fumaça é branca, o público na Praça São Pedro sabe que o novo pontífice foi escolhido. Após uma cerimônia solene entre os cardeais, o novo papa costuma aparecer ao público, como fez Bento XVI ao ser eleito em 2005.

Como é escolhido o nome dos Papas?
A tradição de adotar um novo nome ao ser nomeado Papa foi iniciada por Jesus Cristo, que mudou o nome do pescador Simão para Pedro, o primeiro Bispo de Roma. Cada Papa é responsável por escolher o nome que adotará durante o pontificado – ele deve apontar o nome logo após aceitar a eleição. A escolha é uma forma de homenagear os antigos papas e também indica a linha de administração do novo pontífice. O nome escolhido normalmente aponta que o novo papa se identifica com as doutrinas e realizações dos outros papas que tiveram o mesmo nome.

Fonte: G1



Os cinco cardeais brasileiros
Dom Raymundo Damasceno
76 anos, arcebispo de Aparecida.
Mineiro de Capela Nova, é doutor em teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Tornou-se cardeal por Bento XVI em dezembro de 2010. É também presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

Dom Cláudio Hummes
78 anos, arcebispo emérito de São Paulo.
Gaúcho de Montenegro, o ex-arcebispo de São Paulo foi prefeito para a Congregação para o Clero (um tipo de ministro papal) até 2011. Desde então, é membro da Pontifícia Comissão para a América Latina

Dom Odilo Scherer
63 anos, cardeal arcebispo de São Paulo.
Gaúcho de Cerro Largo, é mestre em filosofia e doutor em teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Em 2012, envolveu-se em polêmica ao vetar o candidato mais votado para a reitoria da PUC-SP, optando por um nome alinhado à cúpula da Igreja Católica

Dom João Braz de Aviz
64 anos, arcebispo emérito de Brasília.
Catarinense de Mafra, foi ordenado bispo auxiliar de Vitória (1994) e chefe da igreja em Brasília (2004). Em 2011, passou a ocupar o cargo de prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica no Vaticano

Dom Geraldo Majella Agnelo
79 anos, arcebispo emérito de Salvador.
Mineiro de Juiz de Fora, é doutor em teologia pelo Pontifício Ateneu Santo Anselmo de Roma e virou arcebispo de Salvador em 1999. Deixou a chefia da igreja na capital baiana em 2008, ao completar 75 anos